O primeiro Centro de Memória do Circo português, uma iniciativa liderada pelo INAC – Instituto Nacional de Artes do Circo, pode ser instalado em Famalicão e aguarda por uma decisão da Câmara Municipal. O futuro espaço vai permitir a preservação do património circense, salvaguardando uma parte essencial da memória cultural portuguesa antes que desapareça definitivamente.
Vila Nova de Famalicão aparece como o «local estratégico» para acolher este centro, no âmbito de uma parceria que envolve o INAC, o Ministério da Cultura e entidades locais, incluindo a direção do espaço Central Park, que já terá demonstrado disponibilidade para acolher o projeto em condições consideradas sustentáveis.
Neste momento e segundo avança o INAC em comunicado, o Ministério da Cultura aguarda uma decisão da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, para avançar com os próximos passos deste que é visto como um triângulo estratégico entre o Estado, o setor artístico e o poder local.
Recorde-se que em novembro do ano passado representantes do INAC reuniram com o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e com o subdiretor-geral da DGArtes, Pedro Barbosa, num encontro que o instituto descreve como «muito positivo e encorajador». Em comunicado, o INAC refere que o Ministério da Cultura manifestou abertura para apoiar a criação do centro, reconhecendo não só a relevância histórica do circo no contexto cultural português, mas também a urgência de salvaguardar um património que permanece, em muitos casos, disperso por coleções privadas ou dependente exclusivamente da memória oral das famílias circenses.
Famílias históricas como os Chen, os Monteiro e o emblemático Circo Mariano já estão em conversações com o INAC, num esforço conjunto para preservar documentos, figurinos, fotografias e objetos únicos que testemunham gerações de artistas e uma tradição enraizada na identidade cultural nacional.
O projeto prevê a criação de uma estrutura especializada, com equipas dedicadas à conservação, restauro e investigação antropológica, assumindo-se como um espaço de referência a nível nacional e internacional. Para além da preservação do passado, «o Centro pretende também afirmar o circo como património cultural imaterial em Portugal», um reconhecimento há muito reivindicado pelo setor.








