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Famalicão: Homenagem a Salvador Coutinho, «agrada-me, mas não era necessária»

Famalicão: Homenagem a Salvador Coutinho, «agrada-me, mas não era necessária»

Cidade Hoje by Cidade Hoje
20 de Abril, 2026
in Concelho, Cultura
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António José Salvador Coutinho nasceu em 1935, em Espinho. Aos 9 anos veio viver com a família para Famalicão porque o médico recomendou que se afastasse da zona marítima. «Não me fazia bem aos pulmões», conta. A família instalou-se na Castela, Calendário, um ano depois veio viver para a Rua da Liberdade (na mesma freguesia).

Um prenúncio daquilo que seria a sua vida, sempre pautada pela luta pelos direitos cívicos e liberdades individuais. Ideais que defendeu como advogado e como político. Faz questão de salientar que nunca exerceu cargos executivos na política, nem foi remunerado, para ser mais livre. A pretexto, volta da falar da Rua da Liberdade. Conta aos jornalistas que, em plena ditadura, a população afirmava viver na Rua da Liberdade, que não era o nome oficial daquela via. Salvador Coutinho diz que era um sinal da fibra daqueles moradores. Lamenta, por isso, que a memória desta rua não tenha sido preservada, como, no seu entender, devia ter sido, do ponto de vista histórico e cultural. «A Rua Direita e a Rua da Liberdade deviam ter sido protegidas, numa cidade tão jovem como Famalicão», defende.

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Advogado e político, Salvador Coutinho é, também, escritor e o seu mais recente livro (o 18.º) fala, precisamente, da Rua da Liberdade. Da antiga, não da atual. Dos costumes, das pessoas, do comércio, da fábrica têxtil, da Farmácia do Calendário, criado pelo seu pai, Júlio Coutinho Neto, no verão de 1948. Assim descreve Salvador Coutinho, detentor de uma memória muito preservada.

O lançamento deste livro, com o título “Era uma vez uma história que não sabia contar-se”, é editado aos 90 anos de idade. A escrita é para Salvador Coutinho uma paixão. Confessa que se tivesse que escolher apenas uma profissão seria escritor, mas lembra que em Portugal é difícil viver só dos livros. Não que a advocacia seja uma profissão de recurso, confessa que foi o caminho que sempre quis trilhar. Para isso, trabalhou (na Mabor) e estudou ao mesmo tempo. Desde 1970 que o seu nome é reconhecido pelos seus pares e pela sociedade famalicense.

Junta-se, agora, a Casa da Memória Viva que vai organizar uma homenagem, marcada para o próximo sábado, a partir das 15 horas, na Fundação Cupertino de Miranda. Uma data escolhida com propósito, por todo o percurso profissional que fez. À comunicação social, Salvador Coutinho diz apenas que «agrada-me, mas não era necessária». Carlos Sousa, presidente da Casa da Memória Viva, insiste que é imperioso que seja feita para honrar um famalicense que ajudou a escrever a história coletiva deste concelho. Junta-se a outras personalidades já homenageadas, «e que são exemplo de cidadania, de probidade profissional e deixam pegada na nossa comunidade», refere Carlos Sousa.

Esta conversa com os jornalistas, a propósito dos livros, da liberdade, da política e de outros assuntos, aconteceu no Restaurante Aljubarrota, precisamente na Rua da Liberdade.

Tags: advogadocasa da memória vivaescritorfamalicãohomenagemlivrosalvador coutinho
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