Os famalicenses já encaixaram, até ao momento, 42,75 milhões de euros em vendas neste mercado de verão. O montante resulta das transferências de Ibrahima Ba para o Sporting CP, por 21,25 milhões de euros, e, mais recentemente, de Gustavo Sá para o Nottingham Forest, por 20 milhões de euros. Apesar de ter sido contratado pelo clube inglês, o médio português vai atuar por empréstimo no Olympiacos durante a próxima temporada, e ainda a venda de Simon Elisor por 1,5 milhões de euros, para o Universitatea Craiova, da Roménia.
O forte trabalho de scouting desenvolvido pelo FC Famalicão continua a dar frutos, tanto dentro como fora das quatro linhas. Além dos resultados desportivos — na última época, o clube alcançou a melhor classificação (5.º lugar) e a melhor pontuação (56 pontos) da sua história na Primeira Liga —, a SAD regista também o melhor mercado de sempre em termos de receitas com transferências.
O valor arrecadado pode ainda aumentar, uma vez que o mercado de transferências em Portugal apenas encerra a 4 de setembro. Jogadores como Mathias de Amorim, Rodrigo Pinheiro, Lazar Carevic ou Tom van de Looi podem, ainda, despertar o interesse de outros clubes.
As vendas de Ibrahima Ba e Gustavo Sá apenas são superadas pela de Manuel Ugarte (incluindo todas as variáveis). Em venda direta, a maior é mesmo a do central Ba, que Miguel Ribeiro, líder da SAD, considera o melhor central a jogar em Portugal.
Recorde-se que Ugarte, internacional uruguaio, chegou ao FC Famalicão na temporada 2020/21 por cerca de três milhões de euros e, um ano depois, foi transferido para o Sporting CP por 12,5 milhões, rendendo mais 12 milhões de mais-valias pela transferência para os franceses do PSG. No total, Ugarte rendeu à SAD famalicense 24,5 milhões de euros.
O Sporting tem sido, de resto, um dos principais compradores de jogadores do FC Famalicão. Para além de Ugarte e Ibrahima Ba, destaca-se também a transferência de Pedro Gonçalves, mais conhecido por Pote. O médio chegou ao clube minhoto proveniente do Wolverhampton na época 2019/20 e, após apenas uma temporada, rumou a Alvalade. Entre o valor da transferência e a aquisição de diferentes percentagens dos direitos económicos do jogador, o negócio rendeu cerca de 13,5 milhões de euros ao FC Famalicão. O clube mantém ainda 10% de uma futura venda do internacional português.
O sucesso do projeto desportivo e da política de recrutamento é visível nos vários casos de jogadores que chegaram praticamente desconhecidos e acabaram por gerar importantes encaixes financeiros. Otávio, contratado ao Flamengo por cerca de 500 mil euros, foi posteriormente vendido ao FC Porto por um valor a rondar os 12 milhões de euros. Ivan Jaime também rumou aos dragões por 10 milhões de euros, enquanto Yassir Zabiri, adquirido por apenas 600 mil euros, foi transferido para o Rennes por 12 milhões de euros, depois de realizar apenas 20 jogos pela equipa principal.
A estratégia mantém-se para 2026/27: recrutar jovens com margem de progressão, potenciá-los desportivamente e, posteriormente, concretizar importantes mais-valias financeiras. Dos sete reforços apresentados até ao momento, o mais experiente é Paulo Moreira, médio de 26 anos que chegou a custo zero após terminar contrato com o Estrela da Amadora. Os restantes reforços confirmam a aposta na juventude: Tamás Szűcs tem 21 anos, Georgios Koutsias e Leny Meyer têm 22, Finn van Breemen conta 23, Serafimović tem 20 e Mathias Jangeal apenas 18 anos.
Depois da melhor época da sua história na Primeira Liga, o FC Famalicão entra na nova temporada com a ambição de dar mais um passo no seu crescimento e lutar pela qualificação para as competições europeias. Em 2025/26, esse objetivo escapou por pouco, uma vez que a vitória do Torreense na Taça de Portugal garantiu ao clube de Torres Vedras a presença na fase de liga da Liga Europa, retirando essa possibilidade aos famalicenses através da classificação no campeonato. / / Tiago Torres


