
As exportações de têxteis e vestuário ascenderam, no ano passado, a 6.122 milhões de euros, números nunca alcançados. Trata-se de um considerável aumento do valor exportado, em 13%, quando comparado com o ano de 2021. Apesar deste resultado histórico, em quantidade, as exportações tiveram uma quebra anual de quase 1%, sobretudo devido a uma forte contração (-11%) verificada no último trimestre do ano.
Este diferencial entre valor e quantidade é justificado, «em grande medida, pelo aumento generalizado dos custos de produção, em particular, devido ao aumento dos preços de energia, com especial destaque para o gás natural», assim consta de comunicado da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, assinado por Mário Jorge Machado.
A instabilidade e a incerteza provocada pela guerra na Europa, que trouxe graves consequências no mercado energético e originou uma inflação generalizada nos preços dos bens, dos serviços e um aumento das taxas de juro, «teve forte impacto no rendimento disponível, consumo e na procura das famílias, em particular nos bens não essenciais. Fomos assistindo a uma desaceleração da procura ao longo do ano, com implicações na produção e nas exportações deste setor», regista o presidente da ATP, associação que tem sede em Portugal.
Em termos de grandes categorias de produtos, em volume, foi exportado -0,3% de matérias têxteis (menos 894 toneladas), -3,3% de vestuário (menos 3.118 toneladas) e -0,1% de têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados (menos 77 toneladas).
No entanto, há mercados «onde conseguimos crescer em valor e em quantidade: é o caso da França, para onde exportámos mais 21% em valor e mais 7,7% em quantidade. É também o caso de Itália, para onde exportámos mais 17% em valor e mais 25% em quantidade», assinala Mário Jorge Machado.
Já para Espanha, principal destino das exportações nacionais, o empresário assinala a recuperação de algum do valor perdido em 2020, com um aumento de cerca de 3% face a 2021, «mas ainda estamos aquém dos valores exportados em 2019. Em quantidade, em 2022, exportámos -4,4%».
Os mercados que registaram maiores quebras em valor foram a China (menos 8,5 milhões de euros, -13%) e a Rússia (menos 5,7 milhões de euros, -69%).
A balança comercial do setor em 2022 teve um saldo 696 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 113%.




















