Desde a chegada da SAD, em 2018, do grupo Quantum Pacific Group, o FC Famalicão tem registado um crescimento exponencial. Na temporada 2018/19, o clube disputou a II Liga e garantiu a subida ao principal escalão do futebol português. Desde então, sob a liderança de Miguel Ribeiro, afirmou-se como um projeto sólido e sustentável, capaz de contratar jovens jogadores por valores reduzidos, potenciá-los e, posteriormente, transferi-los por quantias bastante superiores. Contudo, o sucesso dos famalicenses não se limita ao desempenho dentro das quatro linhas.
Ao longo dos últimos anos, o clube tem igualmente contribuído para a valorização de profissionais das mais diversas áreas, muitos dos quais acabam por dar o salto para projetos de maior dimensão, tanto em Portugal como no estrangeiro.
O caso mais recente é o de Tiago Estêvão. Depois de ter desempenhado funções como scout do AC Milan, integrou a estrutura do FC Famalicão na temporada passada. O trabalho desenvolvido no clube valeu-lhe o regresso ao histórico emblema italiano.
Outro exemplo é Hugo Oliveira. O treinador permaneceu apenas época e meia em Famalicão. Chegou em dezembro de 2024 e conduziu a equipa ao 7. º lugar da Liga Portugal. Na temporada seguinte, alcançou um histórico 5. º lugar, a melhor classificação e pontuação de sempre do clube no campeonato. A qualidade do futebol praticado, a valorização de vários jogadores e as distinções individuais conquistadas levaram o RC Strasbourg a pagar a cláusula de rescisão do técnico, fixada em quatro milhões de euros.
Também Flávio Costa “utilizou” o FC Famalicão como trampolim para um projeto de maior dimensão. Proveniente do SL Benfica, assumiu a coordenação do departamento de scouting em 2019/20. Após apenas uma temporada, rumou ao Sporting CP, onde desempenhou funções de scout, coordenador de scouting e, atualmente, diretor técnico. Ao longo desse percurso, participou na identificação de reforços como Viktor Gyökeres, Morten Hjulmand, Manuel Ugarte e Pedro Gonçalves, entre outros.
Outro nome de destaque é Mário Branco. O diretor desportivo esteve no FC Famalicão durante a época 2020/21 e, após o bom trabalho realizado, transferiu-se para o Fenerbahçe, onde permaneceu até à temporada passada, antes de regressar a Portugal para assumir funções no SL Benfica.
Também Diogo Gomes, que integrou o departamento médico do FC Famalicão, acabou por rumar ao SL Benfica.
A crescente reputação do projeto famalicense permitiu igualmente atrair um treinador com o currículo de Carlos Carvalhal. O técnico é um dos nomes mais conhecidos do futebol português e internacional, com passagens por clubes como Sheffield Wednesday, Swansea City, Celta de Vigo, SC Braga, Vitória de Setúbal e Sporting CP.
Dentro das quatro linhas, a capacidade do clube para desenvolver talento tem sido igualmente evidente. Vários jogadores passaram pelo emblema de Vila Nova de Famalicão antes de darem o salto para clubes de maior dimensão.
Pedro Gonçalves, conhecido no mundo do futebol como Pote, chegou proveniente do Wolverhampton por cerca de 1,3 milhões de euros, na temporada 2019/20. Apenas um ano depois, foi transferido para o Sporting CP por 13,5 milhões de euros, tornando-se uma das principais figuras dos leões, com vários títulos e distinções individuais.
Manuel Ugarte chegou ao FC Famalicão por cerca de 9,1 milhões de euros, na altura a contratação mais cara da história do clube. Posteriormente, foi vendido ao Sporting CP por 24,5 milhões de euros e, mais tarde, transferiu-se para o Manchester United.
Também o central Otávio protagonizou uma valorização significativa. Contratado por cerca de 500 mil euros ao Flamengo, acabou por ser vendido ao FC Porto por aproximadamente 10 milhões de euros.
A boa gestão financeira e desportiva do FC Famalicão reflete-se ainda em vários outros negócios. Luiz Júnior foi transferido para o Villarreal por 12 milhões de euros, Ivan Jaime rumou ao FC Porto por 10 milhões de euros e Yassir Zabiri, contratado por apenas 600 mil euros, foi vendido ao Rennes por 12 milhões de euros, depois de realizar apenas 20 jogos pela equipa principal.
Neste mercado de verão, vários dos principais ativos do clube continuam a despertar o interesse de equipas nacionais e estrangeiras.
Gustavo Sá é um dos nomes mais cobiçados. Segundo várias informações divulgadas pela imprensa, o West Ham apresentou uma proposta na ordem dos 20 milhões de euros pelo médio criativo. O internacional jovem português também foi associado aos três grandes, embora sem desenvolvimentos concretos até ao momento.
Outro jogador muito cobiçado é Ibrahima Ba. O defesa-central senegalês tem sido apontado ao SL Benfica e ao RC Strasbourg, agora orientado por Hugo Oliveira. De acordo com a comunicação social, o FC Famalicão apenas admite negociar o jogador por um valor nunca inferior a 15 milhões de euros.
Também Mathias de Amorim poderá protagonizar uma transferência neste defeso. O internacional sub-21 português desperta o interesse de vários clubes de Inglaterra e França, sendo que o FC Famalicão pretende arrecadar, no mínimo, 15 milhões de euros pela sua venda.
Para a nova época, os famalicenses procuram repetir a receita referida anteriormente. Neste mercado, já contrataram Mathis Jangeal, médio francês de 18 anos, que terminou contrato com o PSG. Apesar de ter sido associado a vários clubes nacionais e europeus, acabou por escolher reforçar o clube de Vila Nova de Famalicão. É considerado uma das maiores promessas do futebol francês.
Tamás Szűcs, médio internacional A pela Hungria, foi uma das maiores contratações deste mercado. Custou cerca de 2,5 milhões de euros e tem sido um dos nomes em maior destaque na pré-temporada.
Finn van Bremmen, defesa central neerlandês, chega para substituir um dos ex-capitães, Justin de Haas.
Leny Meyer, lateral esquerdo, chega para ocupar a vaga deixada por Rafa Soares.
Paulo Moreira, médio, terminou contrato com o Estrela da Amadora e chega para ser mais uma opção para a zona central do terreno.
O reforço mais velho anunciado até ao momento é precisamente Paulo Moreira, com 26 anos, o que reforça, uma vez mais, a aposta do FC Famalicão em jogadores jovens, com margem de progressão e potencial de valorização futura.
Todo este sucesso dentro das quatro linhas resulta, em grande parte, da competência demonstrada nas diferentes áreas da estrutura do clube, desde o scouting ao recrutamento, passando pelo desenvolvimento individual dos jogadores, pela estabilidade da direção e pela capacidade de valorizar os seus ativos. O FC Famalicão consolidou-se, assim, como um dos projetos mais bem estruturados do futebol português, afirmando-se como um clube capaz de potenciar talento, gerar mais-valias e competir de forma consistente ao mais alto nível do futebol nacional.
Um dos próximos objetivos, passa por garantir a presença numa competição europeia, que só não acontece na temporada passada, devido à vitória do Torreense na final da Taça de Portugal diante do Sporting CP.
Tiago Torres