A Pamtex Empresa Têxtil, com sede em Cavalões, concelho de Vila Nova de Famalicão, foi declarada insolvente com dívidas de 2,231 milhões de euros. O encerramento da empresa deixou 25 trabalhadores no desemprego. A informação foi avançada esta sexta-feira pelo Jornal de Negócios, após acesso ao relatório do administrador de insolvência.
A Pamtex foi constituída em março de 2019 pelo empresário barcelense André Amaral e dedicou-se à confeção de peças de vestuário. No arranque da atividade, a empresa assumiu a exploração de uma estrutura já existente através de um contrato com a Pincoltêxteis – Confeções. Nesse processo, integraram a nova sociedade todos os trabalhadores dessa empresa e parte do efetivo da Scorecode – Têxteis.
Segundo o relatório, a pandemia de covid-19 provocou uma quebra acentuada no volume de encomendas e obrigou a empresa a operar com margens muito reduzidas. Em 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia agravou o cenário, com aumentos expressivos nos custos de energia e transportes. O documento refere ainda que as sucessivas subidas do salário mínimo nacional fizeram crescer os custos de produção, sem que fosse possível refletir esse aumento nos preços praticados junto dos clientes.
Apesar de uma injeção financeira de 400 mil euros por parte da sócia Têxtil André Amaral, localizada em Barcelos, todas as tentativas para manter a atividade falharam e a empresa ficou sem acesso a crédito bancário. O tribunal decretou a insolvência no verão passado e o administrador de insolvência procedeu ao despedimento dos 25 trabalhadores.
Os únicos bens existentes, compostos por peças e rolos de malhas, foram colocados em leilão eletrónico por 64 mil euros, mas o processo terminou sem qualquer proposta de compra. Do total das dívidas, 494 mil euros correspondem a valores em falta à Segurança Social e cerca de 48 mil euros dizem respeito ao Fisco.
No relatório de insolvência surge também uma explicação para as dificuldades do setor. O documento responsabiliza de forma direta o impacto das plataformas digitais Temu e Shein na crise do têxtil, por comercializarem produtos a preços impossíveis de acompanhar no mercado nacional.