Foram muitos os famalicenses que aproveitaram para conhecer, no primeiro fim-de-semana de abertura ao público, o novo Parque de São Miguel-o-Anjo e usufruir do património natural, arqueológico e paisagístico.
Inaugurado no passado sábado, na União de Freguesias de Famalicão e Calendário, conta com cerca de 15 hectares e resulta de um conjunto de obras de valorização promovidas pela autarquia no Monte e Castro de São Miguel-o-Anjo.

A intervenção, projetada para ser minimalista, representa um investimento de cerca de 390 mil euros, com financiamento do programa NORTE 2030, na melhoria do acesso e da fruição deste espaço, garantindo todas as condições de segurança, manutenção e salvaguarda do património arqueológico.
O presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, fala num espaço “único e diferenciador” em todo o concelho. “Tem a capacidade de nos conectar com a natureza, com a nossa história e com a nossa identidade. Um lugar onde a cultura e o ambiente se unem e que nos convida a parar e a desfrutar da incrível paisagem que nos rodeia e da vista privilegiada sobre a cidade de Vila Nova de Famalicão”, disse.
Os trabalhos de valorização promovidos pelo município contemplaram o reperfilamento de caminhos já existentes, a criação de três miradouros – Miradouro da Fertilidade, Miradouro dos Vales e Miradouro de Vila Nova – e de novos percursos pedonais, a instalação de passadiços metálicos em ferro e a criação de uma área de repouso, lazer e de atividades ao ar livre.
Os vestígios arqueológicos encontrados revelam que o Monte de São Miguel-o-Anjo foi habitado desde a Idade do Bronze, há cerca de 3 mil anos. Mais tarde, durante a Idade do Ferro, ergueu-se aqui um pequeno castro, um povoado fortificado construído para proteger a comunidade e os seus bens. Com a chegada dos romanos, o espaço terá sofrido algumas transformações, mas seria na Idade Média que voltaria a assumir um papel de destaque, com funções estratégicas de vigilância sobre a paisagem envolvente. Por volta de 1894, sabe-se que foi alvo de uma “exploração”, mas só na década de 1980 foi identificado e o seu valor arqueológico reconhecido, levando à sua classificação como Imóvel de Interesse Público em 1990, passo essencial para a sua preservação.


