O número de casos de Covid-19 em Portugal subiu de 448 para 642 casos esta quarta-feira. O aumento do número de doentes, em 194, é o maior registado até agora. Continua a haver só uma vítima mortal confirmada.
Há famílias que precisam e a Re-Food volta a abrir a sede
Equipamentos de proteção individual estão mais caros «e somos nós a suportar esse custo»
CIDADE HOJE auscultou as corporações de bombeiros do concelho sobre o trabalho de socorro nas circunstâncias atuais. As corporações de Bombeiros de Riba de Ave e Famalicenses conseguiram responder em tempo útil para publicação.
Luís Abreu, comandante dos Bombeiros de Riba de Ave, fala numa nova realidade, mas garante que estão a ser tomadas todas as precauções tanto ao nível pessoal como de desinfeção das ambulâncias.
CIDADE HOJE (CH) – Como estão os bombeiros preparados para lidar com o COVID-19?
Luís Abreu (LA) – Os bombeiros estão minimamente preparados, vamos seguindo as recomendações do INEM e da DGS.
Neste momento, estamos equipados com material indispensável em todas as ambulâncias de socorro; em simultâneo estamos a criar reservas, de forma a prevenir os tempos que se avizinham.
No passado domingo, tivemos a oportunidade de ministrar uma formação a todos os elementos do nosso C.B., através de elementos do nosso C.B. que frequentaram uma formação ministrada pelo INEM.
Nesta formação, abordamos a problemática atual, formas de reconhecimento, sinais e sintomas associados e historial do coronavírus. Definimos estratégias e normas internas.
Os operacionais passam por dificuldades nas ocorrências devido ao facto de tudo isto (COVID-19) ser novo e de difícil reconhecimento.
CH – Que medidas foram adotadas para os bombeiros lidarem com a população?
LA – A restrição de acesso ao quartel de pessoal não afeto ao corpo de bombeiros; evitarmos ao máximo o contacto com a população, exceto em emergências. Em ocorrências suspeitas, os operacionais utilizam EPI completo. Disponibilizamos o nosso email para esclarecimentos de dúvidas colocadas pela população civil.
CH – Quais as maiores dificuldades?
LA – As maiores dificuldades são em adquirir equipamentos de proteção individual, os pagamentos dos mesmos, dado o preço a que estão no mercado, e somos nós a suportar esse custo. Os operacionais passam por dificuldades nas ocorrências devido ao facto de tudo isto (COVID-19) ser novo e de difícil reconhecimento.
Coronavírus: Empresas vão poder adiar pagamentos à banca
As empresas vão ter a acesso a uma moratória, concedida pela banca, no pagamento de capital e juros, de acordo com o que hoje foi anunciado pelo Ministro das Finanças, e que está a ser trabalhada entre o Banco de Portugal (BdP) e o setor bancário.
Em conferência de imprensa conjunta com o ministro da Economia Pedro Siza Vieira, Mário Centeno afirmou que se está a “construir uma moratória de capital e de juros, num trabalho que está a ser desenvolvido entre o Banco de Portugal e o sistema bancário, em particular com a APB [Associação Portuguesa de Bancos]”.
“Toda a legislação que seja necessária para concretizar esta moratória será aprovada até ao final do mês e avançará de forma efetiva para, mais uma vez, garantir que neste período temporário, num choque que não tem características de flutuação cíclica habitual, todos estamos a dar o nosso contributo”, afirmou Mário Centeno.
O também presidente do Eurogrupo lembrou também que os bancos já anunciaram medidas como “a eliminação de taxas mínimas cobradas aos comerciantes do pagamento por POS [‘Point of sale’, terminais de pagamento automático”, para que todos possam “aceitar pagamentos em meios eletrónicos sem necessidade de estabelecer qualquer valor mínimo”.
“Apesar de se manter a possibilidade de pagamento de notas e moedas, é desejável que se reduza ao mínimo indispensável nesta fase”, completou Centeno, anunciando ainda que o limite máximo os pagamentos por cartões sem necessidade de contacto com as máquinas (‘contactless’) deverá ser aumentado para 30 euros.
Questionado pela Lusa se a concessão de moratórias da banca às empresas seriam alargados às famílias, por exemplo, no pagamento de prestações do crédito à habitação, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, afirmou que “medidas dirigidas à situação das famílias serão comunicadas posteriormente”.
“Nesta altura, a questão essencial é assegurar que as empresas preservam essa capacidade produtiva para no momento da retoma poderem responder à procura que se vai avizinhar. Esta é a altura de assegurarmos liquidez para o funcionamento da economia”, afirmou.
Pedro Siza Vieira afirmou que a função essencial dos apoios “é aliviar a pressão dos compromissos de tesouraria perante a banca e perante a Segurança Social e o Fisco, e assegurar também liquidez suficiente para poderem ir mantendo e preservando a sua capacidade produtiva e protegerem os empregos”.
O Governo anunciou hoje um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas no montante total de 3.000 milhões de euros, destinadas aos setores mais atingidos pela pandemia Covid-19.
Em conferência de imprensa conjunta dos Ministérios das Finanças e da Economia, transmitida ‘online’, o ministro da Economia anunciou um conjunto de linhas de crédito, garantidas pelo Estado, que alavacam para 3.000 milhões de euros o apoio à tesouraria das empresas.
Estas linhas de crédito têm um período de carência até ao final do ano e podem ser amortizadas em quatro anos, referiu Pedro Siza Vieira.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para hoje, para discutir a eventual decisão de decretar o estado de emergência.
«Faltam máscaras e batas»
CIDADE HOJE auscultou as corporações de bombeiros do concelho sobre o trabalho de socorro nas circunstâncias atuais. Os bombeiros de Riba de Ave e Famalicenses conseguiram responder em tempo útil para publicação na edição online do jornal CIDADE HOJE
O comandante Bruno Alves, dos BV Famalicenses, fala em dificuldades para adquirir equipamento de proteção individual e no contacto institucional com as diversas entidades «a fim de se obter informação no que diz respeito ao resultado dos testes realizados aos utentes que são transportados pelos bombeiros».
CIDADE HOJE (CH) – Como estão os bombeiros preparados para lidar com o COVID-19?
Bruno Alves (BA) – Desde que foram adotadas as medidas excecionais para a contenção do COVID19, o Corpo de Bombeiros está a seguir as orientações emanadas pela DGS/ INEM / ANEPC.
Diariamente vamos adquirindo informação junto das entidades competentes para reajustar os procedimentos de atuação, visto que a informação está constantemente a ser atualizada e a serem adotados novos procedimentos.
CH – Que medidas foram adotadas para os bombeiros lidarem com a população?
BA – A atuação dos bombeiros nas diversas ocorrências vai de acordo com as orientações gerais, nomeadamente o evitar o contacto pessoal com o utente, reforço da higienização das mãos, utilização obrigatória de luvas, utilização de máscara sempre que o utente apresente sinais e sintomas indicados pela norma da DGS; desinfeção e higienização constante das ambulâncias.
Diariamente são emitidos comunicados internos consoante as orientações emanadas, a fim dos operacionais estarem devidamente sensibilizados para os cuidados na atuação.
Falta de equipamentos de proteção individual, nomeadamente, máscaras e batas. Atualmente não está a ser possível a aquisição deste tipo de equipamentos.
CH – Quais as maiores dificuldades?
BA – Falta de equipamentos de proteção individual, nomeadamente, máscaras e batas. Atualmente não está a ser possível a aquisição deste tipo de equipamentos.
Está a ser sentida uma dificuldade de contacto institucional entre as diversas entidades, a fim de se obter informação no que diz respeito ao resultado dos testes realizados aos utentes que são transportados pelos bombeiros, para serem adotadas medidas preventivas para com a tripulação, bem como informação dos utentes que estão a ser monitorizados à distância, dentro da área de atuação do corpo de bombeiros.
Na gestão de recursos humanos, nomeadamente os bombeiros voluntários, uma vez que face às suas atividades profissional pode-lhes ser recomendado por parte das autoridades determinadas medidas, mais precisamente o isolamento social ou outro tipo de medida; no entanto, essa informação não é transmitida ao Comando do Corpo de Bombeiros.
Por fim, outra dificuldade que está a ser verificada é pelos bombeiros profissionais que estão em isolamento por precaução, segundo orientações da DGS, na obtenção de documento comprovativo a fim de ser remetido pela entidade patronal para a segurança social.
Empresas de condomínio têm plano de contingência
Todas as empresas de administração de condomínios uniram esforços e estão a adotar várias medidas decorrentes do Covid-19, seguindo as orientações da Direção Geral da Saúde e em consonância com o apelo da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e da Associação Comercial e Industrial de Famalicão. As empresas do setor decidiram suspender o atendimento presencial, privilegiando o contacto telefónico e correio eletrónico, bem como cancelaram todas as Assembleias de Condomínio e reuniões.
Os serviços mínimos de manutenção são garantidos em situações de relevante necessidade ou de emergência, enquanto que para o serviço de limpeza é pedido que seja utilizada uma solução alcoólica nas superfícies de maior contacto (puxadores, interruptores, botões de campainha e outros).
Num comunicado conjunto, seguem outras medidas: afixação do folheto oficial da DGS com as recomendações acerca dos cuidados a ter na entrada dos edifícios; estas medidas entram em vigor esta quarta-feira, e durarão por tempo indeterminado, em função da evolução da situação a nível local, regional e nacional.
As empresas pedem a colaboração e compreensão, recomendando que todos tomem as medidas de segurança individual e coletiva que são determinadas pela Direção-Geral de Saúde.








