Coronavírus: Governo lança linhas de crédito de 3.000 ME para setores mais atingidos

O Governo anunciou hoje um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas no montante total de 3.000 milhões de euros, destinadas aos setores mais atingidos pela pandemia Covid-19.

Em conferência de imprensa conjunta dos Ministérios das Finanças e da Economia, transmitida ‘online’, o ministro da Economia anunciou um conjunto de linhas de crédito, garantidas pelo Estado, que alavacam para 3.000 milhões de euros o apoio à tesouraria das empresas.

Estas linhas de crédito têm um período de carência até ao final do ano e podem ser amortizadas em quatro anos, referiu Pedro Siza Vieira.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para hoje, para discutir a eventual decisão de decretar o estado de emergência.

Portugal está em estado de alerta desde sexta-feira, e o Governo colocou os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.

Entre as medidas para conter a pandemia, o Governo suspendeu as atividades letivas presenciais em todas as escolas desde segunda-feira e impôs restrições em estabelecimentos comerciais e transportes, entre outras.

O Governo também anunciou o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham de se deslocar por razões profissionais.

Remessas solidárias de máscaras de Macau para Portugal esbarram na alfândega portuguesa

Portugueses a residir em Macau e que enviaram máscaras para amigos e familiares em Portugal, queixaram-se hoje à Lusa da retenção das remessas pela alfândega portuguesa e do preço exigido para as libertar.

A indignação tem sido expressa em diversas publicações nas redes sociais, tanto em Portugal, como em Macau, com algumas pessoas no antigo território administrado por Portugal a conseguirem até aqui contornarem o problema ao enviarem remessas à ‘boleia’ de alguém que viajasse para território português, antes das restrições dos voos anunciadas na terça-feira pelo Governo português.

“O que me informaram aqui nos correios é que havia excesso de encomendas a irem para Portugal, de máscaras, muitas delas não chegavam lá, ficavam retidas na alfândega e tinham de pagar à volta de 90 euros porque estavam a considerar que estávamos a fazer negócio com as máscaras”, disse hoje à Lusa Fátima Coelho, residente em Macau.

“O que é falso, porque nós estamos é muito preocupados com os nossos familiares, com todos os portugueses que estão em Portugal, que não usam máscara, que estão mal informados, e é uma das maneiras que temos de ajudar”, explicou a portuguesa, que conseguiu garantir o envio através de um amigo.

Andreia Costa, que tem uma filha em Portugal, e que tem sentido “dificuldades em arranjar as máscaras”, está a tentar perceber qual a melhor forma de lhe fazer chegar este material de prevenção.

“Se isto não for bem esclarecido e tivermos essa dificuldade, e se nos impõem esse tipo de restrição, [isso] dificulta a nossa ajuda para com os outros, para com os nossos familiares do outro lado do mundo”, sublinhou a residente de Macau.

Já Odete Sequeira queixava-se dos preços praticados logo nos correios, mesmo desconhecendo o que iria suceder quando a encomenda chegasse à alfândega portuguesa. Ao regressar esta manhã dos correios, onde pagou mais de 20 euros para enviar uma remessa de 60 máscaras (cujo preço unitário ronda os dez cêntimos nas farmácias convencionadas em Macau), questionava a dependência portuguesa de materiais de prevenção.

“Se calhar o preço da prevenção não é tão exorbitante no que resulta pela falta dela. Se calhar temos de ter outra atitude. O Governo em Portugal tem de ser muito mais interventivo e muito mais preventivo e tentar ser o mais autossuficiente [possível]”, sustentou.

Odete Sequeira, tal como muitos que integram comunidade portuguesa, tentou fazer chegar máscaras a Portugal, junto de familiares, num momento em que o material escasseia em território português.

“Eu debato-me com um problema sério, que é uma mãe com 90 anos que está num lugar de risco, e um filho com 26 [ambos em Portugal] que, naturalmente, não encara estas dificuldades como eu encaro, como a minha mãe encara, como as pessoas com mais experiência de vida encaram”, explicou.

“Quando apareceu aqui, acreditando que se ia propagar a todos os países porque o mundo é um lugar global, hoje em dia, sugeri-lhe [ao filho] que comprasse: foi à farmácia uma primeira vez, comprou dez, acabaram as máscaras, comprou uma outra, que pode ser reutilizada, e estagnou por aí”, salientou.

Macau foi dos primeiros territórios a ser afetado pelo coronavírus, uma cidade com 30 quilómetros quadrados que recebeu no ano passada mais de 39 milhões de visitantes, a esmagadora maioria da China continental.

O Governo adotou medidas drásticas, fechou escolas, casinos e enviou funcionários para casa, em regime de teletrabalho.

Hoje, o Governo de Macau anunciou um novo caso importado de infeção pelo novo coronavírus. Este é o 14.º caso confirmado em Macau. Depois de 40 dias sem novos casos de Covid-19, Macau registou entre segunda-feira e hoje quatro novos casos importados, um de Portugal, um de Espanha, outro do Reino Unido e agora da Indonésia.

Em Macau está em vigor, a partir de hoje, o fecho quase total das fronteiras do território, onde só é permitida agora a entrada dos residentes de Macau, da China continental, Hong Kong e Taiwan e dos trabalhadores não residentes de Macau.

Já em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou na terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

O surto espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.503 mortes para 31.506 casos, o Irão, com 988 mortes (16.169 casos), a Espanha, com 491 mortes (11.178 casos) e a França com 148 mortes (6.633 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Coronavírus: Comissão Europeia espera vacina no mercado até ao outono

A Comissão Europeia disse hoje esperar que a potencial vacina para o novo coronavírus que está a ser criada por um laboratório alemão esteja no mercado até ao outono, podendo “salvar vidas dentro e fora da Europa”.

“Estamos [Comissão Europeia] a acelerar a investigação. Ontem [segunda-feira] falei com os gestores de uma empresa inovadora que está a trabalhar numa tecnologia promissora para desenvolver uma vacina contra o coronavírus”, indica a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, através de um vídeo publicado na rede social Twitter.

Recordando que a União Europeia (UE) já disponibilizou até 80 milhões de euros à CureVac, uma empresa de Tübingen, na Alemanha, a responsável afirma esperar que, “com este apoio, seja possível haver uma vacina no mercado talvez até ao outono”.

“Isto pode salvar vidas na Europa e no resto do mundo”, vinca Ursula von der Leyen no vídeo.

Ainda assim, a líder do executivo comunitário admite que “muito falta fazer para combater este vírus” na UE.

E, por isso, realça que “todos podem contribuir”, aconselhando desde logo os cidadãos a ficarem casa “e a reduzirem o contacto social”.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia anunciou um apoio de até 80 milhões de euros ao laboratório alemão que está a trabalhar numa potencial vacina para o novo coronavírus, após uma alegada oferta da administração norte-americana, desmentida pela biofarmacêutica.

A instituição liderada por Ursula von der Leyen explicou que esta verba seria atribuída sob a forma de uma garantia da UE a um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI) neste valor, no âmbito do mecanismo de financiamento de doenças infecciosas InnovFin e do programa comunitário para a investigação Horizonte 2020.

A informação foi divulgada depois de, também na segunda-feira, a CureVac ter negado haver recebido uma oferta do Governo dos EUA para reservar a sua descoberta para os norte-americanos.

No domingo, o jornal alemão Welt am Sonntag citava fontes não identificadas do Governo alemão que asseguravam que o dono da CureVac, uma empresa farmacêutica, tinha participado numa reunião com o Presidente Donald Trump, no início do mês, tendo recebido uma generosa oferta para garantir o seu trabalho em exclusivo para os Estados Unidos.

O jornal dizia ainda que a chanceler alemã, Angela Merkel, estaria a disputar com a empresa a necessidade de a vacina, quando estiver pronta, ser igualmente utilizada na Europa, que é neste momento o principal foco da pandemia.

“Para que fique claro sobre o coronavírus: a CureVac não recebeu uma oferta do Governo dos Estados Unidos ou de entidades com ele relacionadas, antes, durante ou desde a reunião com a ‘task-force’ da Casa Branca, no dia 02 de março”, escreveu hoje o diretor do laboratório alemão, na conta da empresa na rede social Twitter.

O diretor de operações da CureVac, Hans Werner Haas, disse ao jornal Tagesspiegel que a sua empresa tinha realmente participado numa reunião com o Presidente Donald Trump, mas desmentiu a versão de uma qualquer oferta para a compra dos direitos do novo produto.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

Páscoa com o toque dos sinos, flores à porta e estandartes à janela

O Arciprestado de Vila Nova de Famalicão, dadas as comunicações das autoridades públicas de saúde, as posições da Conferência Episcopal e da Arquidiocese de Braga, informa que a Páscoa será celebrada com o toque dos sinos durante o dia e é proposto às famílias que coloquem flores à porta e estandartes à janela mesmo sem compasso na rua. A celebração da Páscoa será, por isso, em família.

Informa, também, que as paróquias vão suspender a catequese e atividades juvenis/escutistas, que serão retomadas quando as escolas abrirem; estão suspensas as confissões, as eucaristias, procissões, vias-sacras e toda e qualquer manifestação que implique aglomerados de pessoas; os velórios e os funerais estão circunscritos à família e recomenda que os pêsames sejam dados por SMS e redes sociais; os casamentos e batizados, se os houver, também circunscritos à família.

O Arciprestado de Famalicão adianta que «o dom da vida tem um valor inviolável. Temos o dever de a proteger, a nossa e a dos outros». Em comunicado, diz que todos devem rezar a Deus para que «se compadeça de todos os frágeis e doentes, para que dê alívio e cure todos os infetados, anime os que deles cuidam, ajude os investigadores a encontrar os meios de cura».