CAMPEÃO NACIONAL PROMOVE AEROMODELISMO

O 14.º encontro anual de aeromodelismo, organizado pelo Clube de Aeromodelismo do Vale do Ave, que decorreu no passado fim-de-semana, contou com a presença do campeão nacional de aeromodelismo, Pedro Precioso. Mas outros pilotos nacionais e internacionais participaram no encontro.

Apesar de não estar muito divulgada, esta é uma modalidade com cada vez mais praticantes e de todas as idades.

Manuel Ferreira, presidente do Clube de Aeromodelismo do Vale do Ave, com sede em Cavalões, confessou ao Cidade Hoje que foi uma grande festa do aeromodelismo.

A FESTA

Recentemente Vila Nova de Famalicão celebrou e vivenciou uma festa, em honra do Santo António, denominada As Antoninas, com um levado grau de complexidade na sua organização e propostas verdadeiramente transversais para públicos e idades, de programação e envolvência dos vários grupos da sua comunidade e turistas, que nesta altura do ano nos visitam. É imperativo referir o trabalho da Câmara Municipal de V.N. de Famalicão e da enorme quantidade pessoas envolvidas, das mais variadas Entidades, profissões e níveis de responsabilidade. Uma palavra de respeito e agradecimento pela a sua qualidade, entrega e altruísmo, neste momento tão importante para a nosso Concelho. Queria destacar o trabalho das marchas, dos grupos e de todas as pessoas envolvidas na sua organização e apresentação. São fabulosas, e percebe-se que, a cada ano que passa, o nível, as exigências e o envolvimento de muitas centenas de pessoas, a planificação, as horas de ensaio, a preocupação com os detalhes musicais, coreográficos, estilísticos e de figurinos são objeto de estudo minucioso da tradição, da historia e da nossa identidade. É uma noite de celebração da nossa cultura, dos sentidos, das emoções, das cores e sons que nos diferenciam de outras culturas e comunidades.

As festas populares são recursos culturais convertidos em património imaterial, necessitam de proteção e defesa para que possam ser preservadas, vivenciadas e transmitidas às futuras gerações, mantendo a genuinidade da sua tradição em todos os seus aspetos socioculturais e políticos, nunca excluindo os religiosos. Como manifestações culturais, as festas contribuem para a afirmação da identidade cultural das comunidades locais, reforçando a diversidade cultural e atraindo, cada vez mais, um expressivo número de turistas às cidades onde estas manifestações culturais acontecem.

É curioso perceber que estas festas dos santos populares incluem um conjunto de crenças e gestos mágicos oriundos do paganismo celta. É difícil precisar onde foram os portugueses encontrar este “imagináriofantástico”, este culto do sagrado, com uma estrutura rigorosa do espaço e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. É neste contexto de assimilação das crenças e antigos ritos pagãos, que se perpetuaram ao longo dos séculos na tradição oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e crenças que definem a religiosidade popular. Como exemplo, as fogueiras fazem parte da tradição pagã de celebrar o solstício deverão. Já os balões inserem-se na mesma lógica das fogueiras, ou seja, da luz e seus efeitos visuais. Antes, os balões eram lançados para anunciarem o início das festas.

Nos tempos antigos tudo começava com a expulsão do inverno pela primavera, por excelência, o ciclo natural da fecundidade dos solos e da aproximação das colheitas. Era então necessário afastar as secas, as doenças e a esterilidade com rituais e sacrifícios. O homem e a mulher tinham uma relação mais direta e íntima com a Natureza, um respeito e adoração mística por um universo comum no qual se reviam. Por esta razão, não espanta que ainda hoje Santo António e São João tenham a grande responsabilidade de serem os santos casamenteiros. Assim, os grandes santos nacionais tornaram-se, à época, aqueles aos quais a imaginação popular atribuía a milagrosa intervenção capaz de aproximar os sexos, fecundar mulheres, proteger a maternidade, como Santo António, São João e São Pedro.

Segundo Joaquim de Sousa Teixeira, a definição de festa, em síntese, comporta quatro elementos estruturantes: (I) uma celebração simbólica de um objeto (evento, homem ou divindade, fenómeno cósmico, etc.); (II) num tempo consagrado; (III) atividades coletivas múltiplas e diferenciadas; (IV) com uma função expressiva. Ou seja, a festa utiliza uma linguagem mais sensível à constituição social e da identidade, caracteriza-se por dois traços distintos, por um lado toda a atividade ritual em correlação com a organização social do tempo, a cerimónia concreta e, por outro lado, uma atividade social agradável, a festividade experienciada pelos sentidos.

A festa não é um mero produto da vida social, muito menos um simples fator de reprodução da ordem estabelecida pela via da inversão. Tal como o princípio de reciprocidade, não custa repetir mais uma vez, a festa é o ato mesmo de produção da vida. Celebrar as festas antoninas é celebrar a vida da comunidade, é cultura, memória e património. A festa é transitória, efémera, todavia, como diz tão bem Duvignaud, ela “deixa sementes que, mais ou menos tardiamente, agitam os espíritos e perturbam a sonolência da vida comum”.

 

Álvaro Santos

(Diretor e Programador da Casa das Artes)

O REI DAS “CUNHAS”

PEDRÓGÃO GRANDE. Portugal chora, Portugal está de luto. Cada coisa a seu tempo, mas não está fora de tempo dizer que há coisas que nem só o tempo pode explicar. Não podemos aceitar que o tempo passe e com ele as perguntas fiquem sem resposta. O fogo mais mortífero em Portugal, um dos piores do mundo, não pode ser branqueado. Não pode haver responsabilidade apenas para as boas notícias e nunca para as más notícias. Até lá, assinale-se que perante uma das maiores tragédias da nossa democracia, os portugueses voltaram a mostrar que são um povo solidário, a Ministra da Administração Interna revelou outra vez toda a sua insegurança e o jornalismo, na ânsia de mostrar mais e mais, passou os limites da decência. Os portugueses não tiveram só direito a jornalismo, mas também a terrorismo jornalístico.

PROCEDIMENTO. Portugal saiu oficialmente do procedimento por défice excessivo, recuperando por isso alguma liberdade na definição e implementação de políticas orçamentais. Uma excelente notícia sem dúvida. Sem embargo, vale a pena recordar que foi o governo socialista de José Sócrates que aí nos colocou em 2009. Vale a pena lembrar que o sucesso agora alcançado só foi possível porque Portugal conseguiu cumprir o violento programa de ajustamento a que foi submetido, depois da terceira bancarrota socialista, e foi capaz de introduzir reformas que, como o afirmou recentemente a OCDE, estão a ter agora resultados. Resta saber se aprendemos a lição.

CUNHAS. Por estes dias a família de Carlos César, o líder parlamentar socialista, andou nas bocas do mundo. O caso não é para menos. A mulher Luísa, a nora Rafaela, o irmão Horácio, a cunhada Patrocínia e a sobrinha Inês, ocupam lugares de relevo no Estado por nomeação política. Nenhum foi eleito. Todos os partidos políticos têmo cadastro nesta matéria, mas nenhuma outra família em Portugal, dado o número de elementos envolvidos, supera a família “César” no assalto à administração pública. Por favor não venham com essa conversa de que esta é uma família de predestinados. Carlos César é o rei das “cunhas” do nosso sistema político. Ponto final.

O RENDIMENTO E O VERÃO: SERÁ A COMUNHÃO PERFEITA?

Quando chega o verão, chega o bom tempo, terminam as aulas, verificam-se alterações hormonais, há mais solicitações, ocorrem distintos acontecimentos apelativos, mas a época desportiva não finalizou, bem pelo contrário, ainda falta a competição mais importante, os Campeonatos Nacionais.

Manifesta-se o fenómeno da epidemia veraneante!

Na realidade, este episódio sucede-se, ano após ano, época após época, o que nos leva a refletir e tentar encontrar, por conseguinte, o antídoto terapêutico adequado.

O calor, o sol, a maior disponibilidade horária e o ócio concorrem para que no corpo humano ocorra um cansaço involuntário, uma sonolência latente e uma menor capacidade de gestão do tempo livre, que têm como consequência uma menor capacidade de recuperação do organismo.

Aqui, assume preponderante importância o “treino invisível”, com uma relevância tão ou mais significativa que o treino visível propriamente dito. Uma das dimensões mais significativas do treino invisível é o período noturno. No verãoverificamos que há maior dificuldade em dormir, o sono é de pior qualidade e menos profundo, dificultando a recuperação física e mental.

Com o calor ambiente elevado a hidratação assume fulcral relevo. Se a hidratação é sempre importante, neste período deverá ser ainda mais considerada e alvo de reajustes, quer pré-treino, per-treino, quer pós-treino. A alimentação tem de ser igualmente ajustada, adequada e impermeável às solicitações e tentações, tais como a ingestão de gelados, batidos, de doces e de bebidas alcoólicas. As tentações são acrescidas e a vontade é vulnerável pelo envolvimento.

De igual modo, as capacidades psicológicas estarão condicionadas, concorrendo para estádios menos favoráveis, que em muitas situações poderão ser prejudiciais ao seu rendimento. A motivação poderá estará diminuída pelos sucessivos treinos realizados ao longo da época, pelas distintas competições, pela exigência imposta, pela pressão, dos resultados bons e menos bons, enfim, por um conjunto de ações cumulativas que poderão concorrer para uma quebra dos padrões ideais de motivação. Aqui, é preponderante estarmos alerta, sensíveis ao processo e encontrar o melhor caminho a seguir, mas sempre na base tripartida de Atleta/Pai/Treinador.

Neste fervilhar de acontecimentos e de relações, é necessário ter a capacidade de gerir as emoções, já que o atleta estarámais suscetível a alterações dos estados de humor, a manifestar-se mais irritado e agressivo, o que poderá conduzir a estádios de tristeza, melancolia e isolamento. Se não houver cuidados para contrariar esta tendência, o atleta poderá ser conduzido para níveis patológicos de sobretreino, da tríade da mulher atleta,de burnout ou de abandono.

Enquanto treinadores eresponsáveis pelo processo é essencial encontrar o equilíbrio das dinâmicas das cargas e da gestão da exigência, quer seja a nível técnico, tático ou fisiológico, quer seja a nível psicológico. Devemos promover uma comunicação facilitada, com seriedade e confiança mutua; diferenciar os momentos de exigência e de flexibilização; fomentar momentos de desconexão diária com a modalidade; promove a manutenção das rotinas pré, per e pós treino/competição; valorizar o treino invisível (dormir, comer, hidratar, descansar); estabelecer objetivos a curto prazo, de forma concreta, já que a concentração poderá estar diminuída e a atenção dispersa.

Concluímos sem qualquer dúvida, que é possível obter rendimento no verão.

Para isso, é preciso estar sempre alerta para os possíveis fenómenos que podem ocorrer e encontraras estratégias que concorram para uma ação terapêutica que permita ao treinador dar treino e ao atleta treinar.

O atleta nunca deve tentar descobrir qual o seu limite, mas sim desejar superá-lo a cada instante. O atleta tem de enraizar que a dor e o cansaço fazem parte do seu uniforme.

 
Acreditar é monótono, duvidar é apaixonante, manter-se alerta: é a vida!
OscarWilde
Pedro Faia

EM OUTUBRO VAMOS A VOTOS

ESPECIAIS. As eleições autárquicas de 2013 decorreram num contexto especial. O país estava sobre intervenção externa, a lei de limitação de mandatos conhecia a sua aplicação prática e, territorialmente, operara-se a reorganização das freguesias que, no continente, reduziu de 4.050 para 2.882 o número de presidências de junta. Estas foram, também, as primeiras eleições autárquicas em que os canais de televisão de sinal aberto, deliberadamente, não fizeram qualquer cobertura à campanha

DESAIRE. Perda de 30 pre-sidências de câmaras municipais no cômputo geral e menos 1,6 milhões de votos comparativamente com as eleições de 2009. Foi esta a dimensão do desaire do PSD nas eleições autárquicas de 2013. O seu pior resultado de sempre agravado com as perdas de grandes concelhos como o Porto, Coimbra, Gaia, Coimbra, Sintra, Vila Real e Funchal.

CONTEXTO.  É um facto que o PSD disputou aquelas eleições num contexto particularmente difícil. Liderava o governo mais impopular da história da nossa democracia e por esta altura recolhia apenas 23% das intenções de voto. Exatamente 11 pontos percentuais abaixo do PS, circunstância sempre relevante nos grandes centros urbanos onde o eleitorado é potencialmente mais sensível à conjuntura da política nacional. A lei que limita a três o número de mandatos consecutivos possíveis foi-lhe também particularmente penalizador. Dos 160 autarcas impedidos, 82 eram do PSD contra 59 do PS.

CAPITAL. Hoje o PSD não é governo, mas o governo não é impopular.  As intenções de voto são superiores (29%), mas o PS continua a 11 pontos de diferença (40%). Tal como há quatro anoso PSD continua a ser o partido com mais presidentes de câmara impedidos de se recandidatarem. Então nada mudou?

Não. Há grandes diferenças com o passado. O PSD já não é um partido hostilizado pelos eleitores, o campo de seleção dos candidatos de primeiríssima linha ampliou-se e o processo eleitoral foi fechado mais cedo. Ao contrário do seu principal adversário, o PSD não foi escorraçado por ninguém. Os candidatos do PSD são confiáveis, preparados, reivindicativos e próximos das populações e esse nunca foi um capital despiciendo.

Jorge Paulo Oliveira

EMPRESAS MAIS CONSCIENTES DA SUA RESPONSABILIDADE SOCIAL

“Capitalismo Consciente”, tema da conferência promovida pelo Círculo De Cultura Famalicense (proprietário do Jornal/Rádio Cidade Hoje), está a criar raízes em algumas empresas portuguesas. Esta é uma das conclusões recolhidas desta conferência que teve lugar na Casa das Artes, no dia 6 de junho, moderada por Ana Teresa Lehmann.

Foi possível ouvir o brasileiro Hugo Bethlem citar um exemplo português onde isso acontece, que é o caso da Delta Cafés, em Campo Maior, liderada por um empresário, Rui Nabeiro, que conhece os seus 3 mil trabalhadores e que, com responsabilidade social, ajudou a transformar uma região.

Também foi possível ouvir Isabel Furtado, administradora executiva da TMG, dizer que uma empresa como a sua, instalada em S. Cosme do Vale, não se pode alhear do meio em que está instalada, principalmente porque em quase todas as casas há um trabalhador na TMG. Outra forma de responsabilidade social, citou Isabel Furtado, é dar prioridade na contratação a familiares dos atuais trabalhadores.

Esta é a visão de dois administradores empresariais, mas o sindicalista Carlos Silva, da UGT, diz que hoje os sindicatos também têm de entender que os empresários não são nem podem ser inimigos dos trabalhadores, mas que uns e outros têm de lutar por um mesmo objetivo que é tornar as empresas viáveis economicamente.

Quer se chame responsabilidade social, empresa humanizada ou capitalismo consciente, o importante, diz Hugo Bethlem, é que a empresa não pense apenas no lucro imediato, mas na sustentabilidade a longo prazo e na criação de uma relação de compromisso com colaboradores, fornecedores, clientes e, naturalmente, com os acionistas que lá colocaram o seu capital.

«Ainda estamos imbuídos de um espírito sindical que os empresários não veem com bons olhos e reagem mal à nossa presença», disse Carlos Silva, para logo a seguir defender que a UGT é a «única central sindical que pratica a paz social, que defende a estabilidade governativa e que entende que a empresa é um núcleo onde coabitam empresários e trabalhadores».

Neste espírito de cooperação, como lhe chama Hugo Bethlem, »cada trabalhador é uma peça no puzzle», acrescenta Isabel Furtado. Esta responsável empresarial diz que todos são dependentes uns dos outros e devem ser respeitados.

No fundo, diz Hugo Bethlem, capitalismo consciente não é inventar nada, é pura e simplesmente respeitar os seres humanos e pensar que não posso ter clientes satisfeitos se não tenho trabalhadores felizes. «Cada colaborador quer ser melhor; os líderes estão por toda a parte procure-os e encontre-os», frisou, acrescentando que se os colaboradores pensam diferente dos administradores devem ser ouvidos e se todos os trabalhadores são importantes isso deve ser demonstrado; da mesma forma que as coisas positivas devem ser celebradas em grupo.