O Partido Socialista acusa o executivo municipal de «negligenciar as reuniões de Câmara e de promover um clima de tensão e falta de abertura democrática». Em comunicado, o partido liderado por Eduardo Oliveira refere que a última reunião (dia 21) «ficou marcada pelo tom de voz e o bater com a mão na mesa» do vereador Hélder Pereira. O presidente Mário Passos também é alvo de críticas. É acusado de abandonar a sessão antes do final «para participar noutra atividade da agenda municipal, afirmando que não estava preparado para perder tanto tempo na reunião», acusa o PS.
Também em comunicado, Mário Passos «repudia» as críticas dos vereadores socialistas, considerando «uma enorme falta de respeito institucional» a acusação de que abandonou a reunião e condena «a premeditada descontextualização daquilo que realmente aconteceu». Esclarece que saiu na fase final, pedindo «a compreensão de todos» por um compromisso assumido com alunos do Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado, em Joane.
O presidente da Câmara acusa os vereadores socialistas «de má-fé» e menciona que «nunca viram esta Câmara Municipal e o seu executivo tecer acusações de “falta de respeito pelas reuniões de câmara, pelos vereadores eleitos e pelos famalicenses” ou qualquer outro tipo de comentário quando existem também ausências por parte dos vereadores do PS».
Ainda no comunicado dos socialistas, o presidente da Concelhia, também vereador, crítica «a recorrente ausência de respostas às questões levantadas pelo PS». Eduardo Oliveira fala de «desrespeito institucional e falta de transparência da coligação PSD/CDS-PP».
Mário Passos diz que nunca foi negado o direito de levantar questões, de apresentar pedidos de informação, esclarecimento e requerimentos. Recorda que as questões levantadas pelos eleitos do PS na reunião de Câmara são respondidas no momento e que as apresentadas por requerimentos «são respondidas oportunamente, depois de recolhidas todas as informações junto dos serviços municipais».
Para o PS há motivos para a transmissão ou gravação das reuniões de Câmara, como já tinha solicitado.
Coligação PSD/CDS acusa PS de recorrer à «ficção e à calúnia»
A Coligação Mais Ação, Mais Famalicão (PSD-CDS) manifesta o seu «total repúdio» pelas recentes acusações do Partido Socialista e diz que o PS «não sabe fazer oposição responsável e construtiva e, por isso, recorre à ficção, e até à calunia, para tentar enganar os famalicenses. O Partido Socialista de Famalicão enveredou pela política de comunicado e do spot de vídeo, desleixando uma atitude responsável, institucionalmente correta e construtiva».
Sobre a forma como têm decorrido as reuniões de Câmara, a coligação Mais Ação, Mais Famalicão descreve como «verdade que tem existido alguma tensão na reunião de Câmara, mas isso acontece porque os Srs vereadores do Partido Socialista desconfiam de tudo e de todos em permanência. Desconfiam do profissionalismo e da seriedade dos técnicos municipais, desconfiam das entidades externas que prestam serviços para a Câmara, desconfiam das empresas que trabalham com o município na sequência de concursos públicos claros e transparentes e, muitos deles avalizados pelo Tribunal de Contas, desconfiam de processos administrativos municipais, desconfiam do Executivo, desconfiam do Presidente da Câmara».
Em comunicado, os líderes dos dois partidos, Paulo Reis (PSD) e Hélder Pereira (CDS), apontam ao PS «a política da acusação permanente, que mais não pretende que gerar sound bites para as redes sociais e lançar areia para os olhos dos famalicenses para ocultar a impreparação e a ausência de ideias e para tentar esconder o histórico investimento que está a acontecer no concelho», acusam.