Armindo Costa, ex-presidente da Câmara Municipal, em carta enviada a 26 de junho aos presidentes das concelhias do PSD e CDS, diz que a proposta apresentada pelo PS para atribuir o seu nome ao Parque da Devesa, foi com a sua autorização. «Honrou-me que o partido político derrotado nas eleições para a Câmara, tenha tido o gesto de, nos 50 anos do Poder Local, se lembrar do papel que, a par com o dr. Agostinho Fernandes, tivemos para a nossa terra». Deste modo, Armindo Costa considera «da mais elementar cortesia democrática» que a proposta fosse aceite, analisada e votada pelo executivo municipal, o que não tinha acontecido anteriormente.
Foi na reunião extraordinária desta sexta-feira, a pedido do PS, que a distinção aos dois ex-presidentes (Agostinho Fernandes e Armindo Costa) foi discutida e, depois, rejeitada com os votos contra da coligação PSD/CDS e teve a abstenção do CHEGA.
O presidente da Câmara Municipal explicou, em declarações aos jornalistas, que nada o move contra estes dois ex-presidentes de Câmara; considera mesmo que Armindo Costa «foi um grande presidente» e que deixou um legado que foi seguido por Paulo Cunha e por ele próprio, Mário Passos. Esta coligação que governa a Câmara, apresentou uma outra proposta, na mesma reunião, para um homenagem a todos os ex-presidentes que exerceram cargo ao longo dos últimos 50 anos. Este tributo, que foi aprovado (também com o voto favorável do CHEGA) será acompanhado por outras iniciativas, incluindo uma escultura.
Na mesma carta enviada aos dois partidos, Armindo Costa avisa que não dá o seu «consentimento a qualquer outra proposta alternativa que inclua o seu nome», acrescentando que essa aceitação «seria uma enorme hipocrisia para quem a propõe, ou para quem a aceite». Na missiva desabafa que sente «imenso desconforto» pelo seu nome e o seu trabalho, incluindo o das equipas que liderou, «serem arrastados para a praça pública», pelos partidos e pelo executivo municipal liderado por Mário Passos, também eleito com o apoio da coligação Mais Ação, Mais Famalicão (PSD/CDS).
A rejeição da homenagem proposta pelo PS foi, também, em sentido contrário à avaliação feita pelo partido liderado por Paulo Reis que pedia a aprovação. Sobre este desacordo, Mário Passos referiu aos jornalistas que não receia qualquer possibilidade de retirada de confiança política, alegando que governa «para o bem-estar e progresso dos famalicenses», notando que está em curso «o maior investimento público de sempre no concelho, no valor de 90 milhões de euros».
Para a rejeição da proposta que visava a homenagem a Armindo Costa e Agostinho Fernandes (atribuição do nome à Casa das Artes), o executivo apresentou uma Declaração de Voto. Na mesma é referido que não podem ser comparados os mandatos de Agostinho, que deixou «um município endividado», com os de Armindo Costa, guiados «pelo progresso e desenvolvimento». Também é aludido que os socialistas que hoje querem homenagear o ex-autarca, atribuindo ao Parque da Devesa o seu nome, é o mesmo que no passado e sobre o então projeto do parque verde, acusou o executivo da altura, de Armindo Costa, de promover «negociatas» e um «negócio ruinoso» entre outras objeções.