O feitiço do tempo

APELOS. “Não precisamos de ter novos aliados, mas precisamos de ter todos os interlocutores”, afirmou Carlos César. O PS que nunca hesita em ofender gratuitamente os seus adversários e não perde uma oportunidade para os desqualificar, é o mesmo que meia volta apela a uma oposição construtiva. O PS que não se cansa de repetir não precisar do PSD para governar, é o mesmo que a espaços invoca a necessidade de se gerarem consensos alargados no espectro político alargado. A verdade é que o PCP e o BE servem para gerir o dia-a-dia, servem para o PS liderar as sondagens, mas não para introduzir as reformas que o país carece, que o PS genuinamente não quer, mas que precisa de dar a entender que quer.

FEITIÇO. Um destes dias, a propósito do Dr. António Costa e do seu governo, lembrei-me do filme “O Feitiço do Tempo”, protagonizado por Bill Murray, Andie MacDowell e Chris Elliott. Esta comédia sofisticada conta-nos uma história passada na cidade de Punxsutawney, na Pensilvânia, em que Bill Murray personifica um presunçoso meteorologista escalado para fazer a cobertura televisiva do tradicional “Dia da Marmota”, celebrado a 2 de fevereiro, mas que acaba preso num lapso temporal. Todos os dias Bill Murray, acorda ao som da mesma música, para logo se aperceber que voltou ao início do dia anterior, independentemente da forma como aquele acabou. A história repete-se sem fim.

DIFERENÇA. Também para o Dr. António Costa e o seu governo, todos os dias são iguais. Dois anos depois, todos os dias são como se fossem o primeiro dia do mandato. Todos os dias são como se tivessem acabado de chegar. Todos os dias as culpas são do anterior governo. Todos os dias se fazem basicamente a mesmas promessas de sempre. Assinala-se apenas uma diferença. Bill Murray aproveita o processo repetitivo para se tornar uma pessoa melhor e, no final, conquistar a personagem vivida por Andie MacDowell. O Dr. António Costa, pelo contrário, investe todos os dias, não para mudar, mas para que tudo fique como está e lhe permita chegar ao fim do mandato, como chegou até aqui.

Jorge Paulo Oliveira

(Deputado do PSD na Assembleia da República)

Quase maresia em Cavalões

Quando o meu amigo e colega João Carvalho recentemente me contou, em dias especiais de ventos, chegava a Cavalões algo no ar muito parecido com a maresia, eu senti bem a espetada da saudade ou da nostalgia; qualquer coisa a fazer-me tirar espaço aos quilómetros, tempo ao Tempo, aproximando mais as pessoas.

Não, com certeza, de coração posto no Verão, na praia, nas férias. Muito pelo contrário, espreitando os subtis movimentos da realidade estática, a discreta chegada a Cavalões dessa silenciosa aragem. O mar não é longe, àquela freguesia segue-se Gondifelos e depois o concelho da Póvoa, e uma recta é a distância mais curta entre dois pontos. O mar, insisto, não o mar dos banhistas veraneantes, mas a anarquia meteorológica onde reina e até envia emissários a Cavalões.

Assim, não obstante a nova auto-estrada, rumo no estio a Vila do Conde com o entusiasmo de um condenado a subir ao patíbulo. Que me perdoem os meus amigos (os poucos que ainda por lá permanecem…), a quem vou de visita. Mas, alguns anos atrás, sendo o julgamento nos tribunais da Póvoa ou de Vila do Conde, era certa a minha paragem no paredão da praia da frente. E o choque com aquela sensação de amplitude, do areal entregue a si mesmo, dos troncos dados à costa, de não sei quantas coisas que um velhote aqui, uma gaivota ali, esgravatavam e colectavam. E então sim, o mar desimpedido do falatório das gentes, bradava, e bradava bem alto. Eu ouvia, observava, recordava pessoas, o calor, todas as cores que podem colorir um lugar. Depois passava pela nossa rua, talvez por solidariedade com tantas casas fechadas, esperando os donos no mês fatal. Mas o quotidiano vilacondense, neste lado balnear, é assim mesmo – dado à hibernação. Enfim, descia a recta até à Senhora da Guia, regalava-me com as zangas das ondas e o farol, emparceirava com o rio umas centenas de metros e seguia à minha vida.

Porquê? Não sei bem. Creio que me interessa o realismo das terras, conhecê-las como elas são realmente, desde que se levantam, manhã cedo, até se deitarem ouvindo já a tempestade uivar. Interessam-me também as ofertas que trocam – para o em ou para o mal – entre si: se Vila do Conde aproveita os ventos e expele maresia até Cavalões, Famalicão (e Guimarães e Santo Tirso e a Trofa…) emporcalham-lhe o Ave. E é tal a sujidade que nos faz abrir os braços às gaivotas ou aos corvos-marinhos que por cá se passeiam, e à diáfana maresia de Cavalões. Maresia, de resto, decerto já inexistente, soprada para longe pelo ruído dos automóveis, pelos fumos fabris. (Ficaram as gaivotas e os corvos…) São os tempos a tornarem-se mais distantes, as distâncias mais demoradas, quase esquecidas. É o ritmo do nosso dia-a-dia, em suma. De freio nos dentes, infinitamente mais veloz do que aquelas carroças cheias de sargaço, a abarrotarem-nos a memória de cheiros idos, longínquos, já mesmo esquecidos de Cavalões.

Uma vez escrevi uma coisa qualquer que acabava assim: «E eu nesta margem/chorando/(maldita maresia)/chamo aos sonhos viagem/e aos acenos/travessia». Deve ser isso.

João Afonso Machado

Um morto em acidente na N206

Um homem morreu, na tarde deste domingo, na estrada que liga Famalicão à Póvoa de Varzim (N206). O acidente, uma colisão entre um veículo ligeiro e uma moto, aconteceu por volta das 12h00 na entrada da freguesia de Balazar, concelho da Póvoa de Varzim (numa curva próxima ao restaurante Terra Negra).

Há registo de uma vitima mortal, Carlos Capela com cerca de 40 anos, que conduzia a moto que se despistou e foi embater num carro que circulava no sentido contrário (Famalicão – Povoa).

No local estiveram os Bombeiros Voluntários de Viatodos, Bombeiros Voluntários de Barcelinhos, Cruz Vermelha de Macieira de Rates, acompanhados pela VMER da unidade de Famalicão do Centro Hospitalar do Médio Ave que estiveram a tentar reanimar a vítima durante cerca de 45 minutos. A família do condutor da mota, assim que chegou ao sitio do acidente, precisou de ser assistida pelos psicólogos do INEM.

 

 

Carnaval de Famalicão com autocarros e comboios para todos!

Nove autocarros, com capacidade para cerca de 50 pessoas cada, vão percorrer o concelho de Famalicão de lés a lés, na noite de Carnaval, assegurando que toda a gente participe naquela que já é conhecida como a noite mais divertida do ano na região norte do país.

Cada autocarro irá efetuar quatro viagens, saindo das diversas freguesias pelas 20h45, 21h30, 22h15 e 23h00, em direção ao centro da cidade e regressando depois pelas 2h00, 4h00, 5h00 e 6h00 da manhã.

As viagens são gratuitas e para viajar basta aparecer nos locais de paragem. Os autocarros saem das freguesias de Joane, Pedome, Riba de Ave, Bairro, Ribeirão, Fradelos, Gondifelos, Arnoso Santa Eulália e Portela, em direção à cidade, com paragem em frente à Escola D. Sancho I.Para além dos autocarros há também viagens de comboio por apenas dois euros ida e volta para quem vem de fora do concelho.

Famalicão é o concelho com mais empresas presentes na maior feira de desporto do mundo

Famalicão lidera a representação portuguesa na ISPO Munique 2018, com dez empresas e dois centros tecnológicos, prova da capacidade inovadora das empresas têxteis famalicenses e da elevada tecnicidade dos seus produtos.

[su_slider source=”media: 4395,4396,4397,4398″ title=”no” mousewheel=”no”]

A ISPO é a maior feira mundial de moda desportiva e artigos de desporto, montra privilegiada para os têxteis técnicos. A indústria têxtil nacional marca presença destacada com um número recorde de 44 empresas. O Ministro da Economia visitou, na manhã deste domingo, primeiro dia do certame, os expositores portugueses.

A comitiva de Manuel Caldeira Cabral integra o embaixador português na Alemanha, João Mira Gomes, o representante do AICEP em Berlim, Pedro Macedo Leão, e o Vereador da Economia da Câmara de Famalicão, Augusto Lima.

As empresas famalicenses na ISPO são: Fitor, Inovafil, Joaps, Moovexx, Oldtrading, Olmac, DuneBleue, Garbo, SIT e Manuel Fernando Azevedo. O CITEVE e o CENTI são os centros de investigação presentes. A participação portuguesa é organizada pela Associação Selectiva Moda, sob a designação de Sport Textile Village From Portugal.

Fonte: Famalicão MadeIn

Empresa de fios em V.N.Famalicão (Inovafil) quer fazer o verdadeiro fato do homem aranha

Criada em 2015, a Inofavil vai apresentar hoje, em Munique (Alemanha), na ISPO, a principal feira internacional dedicada à área do desporto e ‘outdoor’, as suas mais recentes jóias: tecidos feitos com fios capazes de transformar a luz solar em energia térmica, fios com libertação de vitamina E, fios com capacidade de gestão de humidade e fios termorreguladores com capacidade de regular a temperatura corporal.

À agência Lusa, um dos responsáveis pela empresa, Rui Martins, explicou que um dos traços diferenciadores da Inovafil é a ligação com a Universidade do Minho. “O nosso sonho, aquilo que todos nesta área queremos é chegar ao ponto dos fatos dos super-heróis, são o expoente máximo do têxtil técnico, uma camada de tecido tão fininha e, no entanto, tão resistente. O Homem-Aranha tem um fatinho fininho que leva porrada, anda arrastado e não rasga. Além de que não parecer ter nem frio nem calor”, observou.

É a esse ponto que a Inovafil sonha chegar: “Sermos capazes de fazer o verdadeiro fato do Homem-Aranha”, desejou. Deixando o mundo dos super-heróis, “a realidade” é que o desenvolvimento dos fios têxteis “já andou mais longe” da ficção.
As novidades que a Inovafil leva a Munique são exemplo dessa aproximação. “Vamos apresentar três novidades. Um ‘heat generator’, um tecido feito com fios que geram calor, que aquecem, um ‘skin care’, que liberta vitamina E e um tecido com fios termorreguladores, capazes de regular a temperatura corporal”, enumerou.
O fio ‘heat generator’ que a Inovafil desenvolveu “incorpora uma percentagem de uma fibra de carbono, revestida a acrílico que tem a capacidade de, exposta à luz do sol, armazenar calor e transformar esse calor em energia térmica, aquecendo quatro ou cinco graus mais do que a mesma composição sem aquela fibra”.
O ‘skin care’, descreveu o responsável, “faz uma libertação de vitamina E, tem uma substância que com o atrito da pele com a peça vai libertando aquela substância”, sendo que a empresa está já, em parceria com um instituto alemão, a estudar aplicação medicinal destes fios, nomeadamente na recuperação de queimaduras.
A terceira joia a levar a Munique é um termorregulador: “Incorporamos no fio fibras com uma parafina que muda de fase de estado, ou seja, no frio fica sólida, no calor fica líquida. Ou seja, acima de 28 graus ficam líquidas e são permeáveis, deixam sair o calor, arrefecem-nos. Abaixo de 28 graus ficam sólidas e não deixam sair o calor corporal, logo aquecem”, explicou.
Criada para ser o braço inovador de um dos maiores comerciantes de fio em Portugal, a Mundifios, a Inovafil tem uma das suas mais-valias na parceria com a Universidade do Minho, através do Nidyarn – Núcleo de I&D para fios funcionais de elevado desempenho, em colaboração com o 2C2T – Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil e a Fibrenamics, ambos da Universidade do Minho.
“A parceria com a Universidade do Minho permite-nos ligar os investigadores da academia ao nosso “know-how” e procurarmos tudo o que existe de novo, estarmos à frente naquilo que é a tecnologia desenvolvida na universidade. Por exemplo, as nanofibras. Com esta ligação estaremos privilegiados no acesso aos estudos e desenvolvimentos que estão a ser feitos”, referiu.
A Inovafil representou um investimento inicial de 10 milhões de euros. Actualmente, com perto de 160 funcionários, gera um volume de negócios de 19 milhões de euros, tendo uma produção de 1800 toneladas anuais e exporta “de forma directa” 20% daquilo que produz.
Fonte: Lusa