As intenções de recrutamento indicam necessidades claras de técnicos intermédios qualificados, com competências práticas e ajustadas aos contextos produtivos. Há procura por técnicos de logística, de vendas e de obra; por técnicos de soldadura, produção em metalomecânica, eletrónica/automação/comando e comércio.
A cada ano, o número de alunos a frequentar o 9.º ano de escolaridade no concelho de Famalicão ronda os 1200. Um contingente significativo de jovens em transição para o ensino secundário, que atravessam um momento de escolha académica relevante.
Para ajustar a formação às necessidades das empresas, sem descurar o interesse dos alunos, o município de Famalicão encomendou um estudo, através de inquérito a 154 empresas, para conhecer melhor a realidade.
Só para contextualizar, a maioria é microempresas (até 10 trabalhadores), representando 62% (96 empresas); pequenas empresas (entre 11 e 50 trabalhadores) foram 38 e médias empresas (entre 51 a 250) um total de 17; e apenas 3 grandes empresas (+251).
Quando lhes foi perguntado se pretendiam recrutar nos próximos cinco anos, a maioria disse que sim: 131 empresas estimam vir a contratar, apenas 21 não projetam. O que constitui um indicador relevante para o planeamento da oferta formativa no concelho.
115 Empresas planeiam crescer nos próximos anos
As razões para o recrutamento são várias: em 115 deve-se a fatores associados à expansão; 42 a menções de substituição de mão-de-obra, nomeadamente saída de trabalhadores por reforma, rotatividade ou cessação de vínculo. Para diversificação da atividade teve 20 referências, indicando processos de inovação, alargamento de serviços e entrada em novos mercados.
No inquérito, 63 empresas identificam as áreas da gestão e planeamento estratégico do negócio como as que mais precisam de recursos humanos qualificados; 56 mencionam a imagem e a comunicação; 51 refletem necessidade de liderança e gestão de equipa; 45 melhoramentos na área comercial e de vendas; 41 na vertente da produção e prestação de serviços e 36 na literacia digital.
Igualmente relevante, as 32 empresas com necessidades de administração e contabilidade; 30 na investigação e desenvolvimento de novos produtos/serviços; 29 no atendimento e relação direta com o cliente.
Para estas áreas, estas empresas procuram por profissionais de diferentes níveis de qualificação, com particular destaque para os intermédios e especializados. Do total das opções, 31% é por técnicos especializados de nível 5; 30% por operacionais (nível2); 58 empresas (23%) querem ensino superior e 16% (39 empresas) técnicos com dupla certificação.
Relativamente a profissões mais necessárias, a procura é por áreas transversais, o que reflete a heterogeneidade do tecido económico do concelho. Foram referenciadas funções em áreas administrativas, organização interna e gestão documental. Em termos mais específicos, há procura por técnicos de logística, de vendas e de obra; por técnicos de soldadura, produção em metalomecânica, eletrónica/automação/comando e comércio.
Estes resultados confirmam a importância de uma oferta formativa de nível 4, capaz de contribuir para a empregabilidade dos jovens, para a qualificação e requalificação da população ativa, que dê respostas às necessidades de crescimento e que reforce a competitividade.
Esta procura está em consonância com os novos Centros Tecnológicos Especializados (CTE). Esta é uma oportunidade estratégica para reforçar a qualidade, a atratividade e a adequação da oferta formativa, potenciando a ligação entre escolas e tecido empresarial.
Centros Tecnológicos Especializados
No âmbito do reforço da formação profissional e tecnológica, até ao final de março de 2026 Famalicão terá concluídos oito CTE – Centros Tecnológicos Especializados, num investimento superior a 8 milhões de euros, em área tecnológicas e industriais, na Escola Profissional Forave, Agrupamentos de Escolas de Camilo Castelo Branco, pe. Benjamim Salgado e D. Sancho I, mais a Escola Profissional CIOR e Didáxis.
O objetivo geral é modernizar as infraestruturas e os equipamentos das escolas, formando jovens e adultos com competências técnicas, digitais e tecnológicas ajustadas às necessidades do mercado.
Caraterização das empresas inquiridas
Relativamente ao estudo, importa referir que 34 empresas são da área transformadora; 27 do setor dos serviços; 26 do comércio por grosso e a retalho; 18 são da construção e 11 das atividades de saúde humana e ação social.
Quanto à idade dos trabalhadores, os resultados mostram que na maioria das empresas inquiridas os que têm mais de 60 anos representam uma fração reduzida da força de trabalho, ou seja, 133 empresas indicam que apenas 20% dos seus trabalhadores têm mais de 60 anos. Sugere que no momento a estrutura etária é relativamente equilibrada.
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