Após a vitória do FC Famalicão sobre o RC Lens no desempate por grandes penalidades, no decurso do torneio Como Cup, o treinador Carlos Carvalhal aproveitou a conferência de imprensa para refletir sobre a nova lei aplicada aos guarda-redes na Premier League para a próxima temporada e deixar uma sugestão a quem tutela o futebol português. «Peço, em nome do futebol, que apliquem esta lei em Portugal, até mais do que em Inglaterra, Alemanha ou Espanha. Queremos um futebol com ritmo, queremos vender um bom produto e permitir que os clubes beneficiem disso. Quem está no estádio ou em casa quer ver um jogo a fluir, não um jogo cheio de interrupções».
A medida determina que, sempre que um guarda-redes receba assistência médica no terreno de jogo, um jogador de campo da mesma equipa terá de abandonar o relvado durante, pelo menos, um minuto após o recomeço do jogo; tudo para evitar que estas paragens sejam utilizadas para transmitir instruções táticas.
O técnico do Famalicão assume mesmo sentir-se «envergonhado» com a situação, referindo que assistiu recentemente a vários episódios deste género. «Já vi duas ou três paragens num jogo e acho que isto é muito mau. No momento em que estamos a falar da valorização do nosso futebol, isto não faz sentido».
Carvalhal recordou que no principal campeonato inglês foram implementadas medidas para combater este tipo de situações e defendeu que Portugal deve seguir o mesmo caminho, sobretudo numa fase em que se prepara para negociar os direitos televisivos. «A Liga inglesa, que é a mais vendida do mundo, adotou esta medida. Nós vamos entrar num período de centralização dos direitos e vamos ter de vender um bom produto. Não podemos apresentar um futebol em que o guarda-redes cai para o chão para haver instruções técnicas e constantes quebras de jogo».
Apesar de reconhecer que as novas regras relativas ao tempo de reposição da bola são positivas, o treinador considera que estas não resolvem o verdadeiro problema. «Não concordo absolutamente nada com isto. As regras dos quatro ou cinco segundos não significam nada quando há interrupções de um minuto e meio, dois ou três minutos para falsas lesões ou para dar indicações técnicas».
O treinador do FC Famalicão admitiu ainda que poderá sentir-se obrigado a recorrer à mesma estratégia caso nada mude. «Eu não queria fazer isto, sinceramente. Mas, se não houver alterações, vou ser obrigado a fazê-lo. Isso vai completamente contra aquilo em que acredito». // Tiago Torres


