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Europa “está muito mais bem preparada” do que há seis meses, mas vacina só deve chegar no início de 2021

Cidade Hoje by Cidade Hoje
29 de Agosto, 2020
in Mundo, País
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“É muito difícil prever, mas provavelmente só teremos [uma vacina] no início do próximo ano, na melhor das hipóteses e assumindo que os ensaios clínicos têm resultados positivos em termos de eficácia e de segurança”, declara em entrevista à agência Lusa o chefe-adjunto do programa de doenças do Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), Piotr Kramarz.

Notando que existe, nomeadamente na Europa, “um grande número de vacinas em preparação em tempo recorde, […] muitas delas já em fase de testes” avançados, o cientista diz à Lusa que o ECDC está a “preparar já planos de monitorização”.

“Para quando a vacina estiver disponível podermos monitorizar a sua eficiência e para garantir que é segura”, refere Piotr Kramarz.

Na passada quinta-feira, a Comissão Europeia oficializou, em nome da União Europeia, a compra de 300 milhões de doses de uma potencial vacina da farmacêutica AstraZeneca, que está em fase avançada de ensaios clínicos de larga escala e com resultados promissores.

A formalização vem no seguimento de um contrato prévio de aquisição assinado pela com a AstraZeneca em meados de agosto, dada a potencial vacina que a empresa britânica está a desenvolver em conjunto com a Universidade de Oxford.

A Comissão Europeia está, também, a discutir acordos semelhantes com outros fabricantes de vacinas, designadamente depois de já ter concluído conversações exploratórias com a Sanofi-GSK (31 de julho), a Johnson & Johnson (13 de agosto), a CureVac (18 de agosto).

Também na quinta-feira, a Comissão Europeia assegurou que, “juntamente com os Estados-membros e a Agência Europeia de Medicamentos, irá utilizar as flexibilidades existentes no quadro regulamentar da UE para acelerar a autorização e a disponibilidade de vacinas bem-sucedidas contra a covid-19, mantendo simultaneamente os padrões de qualidade, segurança e eficácia da vacina”.

Ainda assim, de acordo com Piotr Kramarz, este é um processo que deverá demorar mais alguns meses.

Mas há “boas notícias” relativamente à covid-19 na Europa, de acordo com o cientista.

“Em termos de tratamentos, existe já um autorizado, o Remdesivir, que é um medicamento antiviral usado para pacientes graves”, destaca, numa alusão ao aval dado pela Agência Europeia de Medicamentos para utilizar este fármaco para combater a covid-19.

No final de julho, o executivo comunitário também assinou um contrato de 63 milhões de euros com a farmacêutica Gilead para assegurar tratamentos com Remdesivir na União Europeia.

Outra das boas notícias é que “há mecanismos para testar e identificar os casos de forma eficaz” na Europa, destaca Piotr Kramarz na entrevista à Lusa.

“A capacidade de realizar testes aumentou significativamente e aprendemos bastante sobre o rastreamento de contactos e sobre como contactar as pessoas que estiveram em contacto com infetados, nomeadamente através de aplicações móveis”, reforça o responsável.

E assegura: “Estamos muito mais bem preparados [para enfrentar a pandemia] do que estávamos na primavera”.

Desde logo porque “os países aprenderam muito com esta primeira fase e, por isso, já há bastante preparação nos serviços de saúde”, justifica.

Em todo o caso, o especialista antecipa um “período difícil” de ressurgimento das infeções nos próximos meses, que poderá coincidir com a época da gripe normal, razão pela qual adianta que o ECDC está já “a pedir aos Estados-membros que se preparem para isso”.

Sediado na Suécia, o ECDC tem como missão ajudar os países europeus a dar resposta a surtos de doenças.

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