“Santa Joana dos Matadouros”, a nova criação da Didascália, é apresentada na Casa das Artes, esta sexta-feira e sábado, às 21h30. Com dramaturgia e encenação de Bruno Martins e direção musical de Amélia Muge, Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht, assume uma leitura contemporânea e incisiva sobre a sociedade atual.
Nesta obra, «os trabalhadores continuam a ser explorados por grandes acionistas que acumulam lucros colossais. O cenário mantém-se: apenas se sofisticaram os mecanismos de manipulação. Hoje, a rebelião é domesticada pelo consumo, pela publicidade e pela própria cidade, que deixou de ser um espaço de organização popular para se tornar uma cidade de consumo, com direito a logotipo e identidade corporativa. A purga faz-se no museu, na exposição patrocinada pelo mesmo poder que oprime: é aí que nos lavamos simbolicamente das culpas, consumindo “arte” e consciência». No centro deste sistema surge Joana: mediadora de conflitos, mulher instrumentalizada pelos agentes culturais e políticos da cidade. Politicamente engajada, tenta expor a exploração dos trabalhadores, mas acaba por romantizar a desgraça. Herdeira simbólica de Joana d’Arc, queimada pela Igreja, vê-se engolida pela mesma estrutura que pretende questionar.









