Dias sem fim

Não é à toa que quando cantamos os parabéns a alguém existe uma parte que diz “muitas felicidades, muitos anos de vida”. Porque é realmente aquilo que todos os que cantam desejam ao aniversariante. Que permaneça junto de todos os que o rodeiam por mais tempo possível. Por todos lhe quererem bem e tê-lo perto.

Crescemos habituados à presença de determinadas pessoas nas nossas vidas. Sejam família, amigos ou simples conhecidos. E se existem as que nos acompanham desde que nascemos, como os nossos pais e a nossa família, outros há que vão entrando nesse tal processo de crescimento e amadurecimento.

Não estamos preparados para perder nem uns, nem outros. Porque sentimos sempre que fazem parte de nós, que são um pedacinho da nossa alma que lá está. Indo embora deixam um espaço vazio. Por isso vamos ficando cada vez mais incompletos. Levando connosco o legado que cada um nos vai deixando.

Algumas dessas pessoas são especiais. Aparentemente banais, iguais a tantas outras, sem qualquer particularidade. Olhando a olho nu. Mas mais do que tudo isso é pensar nos momentos em que estamos todos presentes e as recordações que esses mesmos momentos nos deixam. E aí encontraremos a verdadeira essência do que verdadeiramente nos une. Ou nos uniu.

Algumas pessoas têm o dom, entre outros, de nos fazerem sorrir. De serem alegres, de estarem constantemente na paródia, de serem felizes com o que têm. Ao ponto de ser impossível recordar um, somente um, momento triste junto dessas pessoas. Eu tive a felicidade, vejam só a ironia, de conhecer uma pessoa verdadeiramente feliz. A sorrir e a fazer sorrir os outros.

Não havia tristeza ou lugar a pensamentos menos positivos quando estava presente. Só uma alegria e energia contagiantes, às quais era impossível ficar indiferente. Gostava de cada um dos seus de uma forma muito particular e demonstrava-o nos gestos, na disponibilidade para ajudar e estar presente quando precisávamos. Nunca me falhou. Na alegria a no apoio.

A melhor forma de recordarmos alguém é dar seguimento ao seu legado. Ao que de bom nos transmitiu, àquilo que nos mostrou, aos valores que ensinou, às formas e perspectivas de vida que os seus horizontes nos abriram. Somos ricos nas pessoas com que nos cruzamos. Por tudo o que nos acrescentam e mostram.

A vida faz sempre questão de nos fazer descer à terra no momento em que alguém sobe aos céus. Para nos manter focados no essencial desta passagem. Na verdade, não se morre apenas uma vez. Vai-se morrendo aos poucos. Vamos morrendo ao ritmo dos pedacinhos que nos vão cortando da alma. Com a caixa das saudades sempre a aumentar.

Vou guardar-te onde guardo todos os que me recuso a deixar partir.

Bruno Marques

Juiz famalicense julgado por violência doméstica

O Tribunal da Relação de Guimarães pronunciou um juiz de Vila Nova de Famalicão pelo crime de violência doméstica, por causa das “repetidas” injúrias, ameaças e expressões ofensivas que alegadamente dirigiu à ex-companheira, por SMS e ‘email’.

O juiz em causa é Vítor Costa Vale, que em maio de 2017 foi condenado, pelo Tribunal da Relação de Guimarães, a 8.000 euros de multa, por, na qualidade de testemunha num julgamento, ter mentido para prejudicar a ex-companheira num processo de herança.

No despacho de pronúncia sobre o caso de violência doméstica, a que a Lusa hoje teve acesso, o tribunal considera que o juiz arguido agiu num quadro de “clara inconformação” com o fim da relação com a ex-companheira, com quem viveu durante quatro anos em união de facto, embora com “pelo menos três ou quatro” separações pelo meio. “O arguido agiu com o intuito conseguido de inquietar, perturbar, incomodar, humilhar, injuriar, ameaçar e provocar medo na assistente [ex-companheira], nomeadamente por ser juiz de Direito”.

Ainda de acordo com o despacho de pronúncia, o juiz, a partir de julho de 2011, data em terminou a relação conjugal, passou a enviar à ex-companheira, via SMS e ‘email’, mensagens de texto e músicas, “ora declarando o seu amor o por ela e o seu desejo de reatamento da relação afetiva, ora dirigindo-lhe expressões” ameaçadoras e injuriosas. O juiz arguido assumiu apenas o envio de uma das mensagens que constam do processo, adiantando não poder afirmar “em consciência” que as restantes tivessem sido da sua autoria, dado o tempo decorrido.

Alegou ainda que as mensagens poderão ser “montagens”. Versão que não colheu junto do tribunal, que pronunciou o juiz por um crime de violência doméstica, por considerar que a sua atuação foi suscetível de afetar o bem-estar psicológico da ex-companheira.

O tribunal aponta para “um juízo de probabilidade sério de condenação do arguido”, sendo a sua absolvição “muitíssimo mais improvável”.

Em maio de 2017, Vítor Costa Vale foi condenado, pelo Tribunal da Relação de Guimarães, a 400 dias de multa, à taxa diária de 20 euros, no total de 8.000 euros, por um crime de falsidade de testemunho, uma decisão entretanto confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça. Foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 5.000 euros à ex-companheira, por danos não patrimoniais.

No acórdão, o STJ sublinha “o grau intensíssimo da violação dos deveres que, enquanto juiz de direito, estavam impostos ao arguido de fidelidade à verdade e à justiça”.

Para o STJ, a conduta do arguido constitui “uma negação frontal da ética inerente à condição de juiz”. Em causa nesse processo estavam as declarações que Vítor Costa Vale prestou, na qualidade de testemunha, num julgamento no Tribunal de Braga, em setembro de 2013, relacionado com o testamento deixado pelo pai da sua ex-companheira. Segundo o tribunal, o juiz prestou falsas declarações com o intuito de prejudicar a sua ex-mulher, vingando-se assim do facto de ela se ter separado dele. Uma convicção que o tribunal sustentou em algumas mensagens que o arguido enviou à sua ex-companheira, com um teor “do mais desrespeitoso que se pode dizer a uma mulher”.

Câmara de Famalicão já abriu as inscrições para a iniciativa “Programar em Rede”

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão já abriu as inscrições para a iniciativa “Programar em Rede”, destinada a apoiar com um montante até de 10 mil euros um projeto cultural que seja promovido em conjunto por várias associações e instituições do concelho.

As candidaturas devem ser apresentadas por email, para o endereço eletrónico cultura@vilanovadefamalicao.org, até 31 de julho de 2018.

O objetivo é envolver os vários agentes culturais do concelho na concretização de um evento que se diferencie pela inovação e criatividade, pela capacidade de articulação de meios, pela mobilização e atração de público e pela descentralização da atividade cultural.

O projeto vencedor deve ser concretizado entre 1 de janeiro e 30 de julho de 2019.

Para o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, “o principal desafio do evento é colocar as instituições a trabalharem em rede para apresentar um projeto vencedor capaz de cativar os famalicenses e atrair turistas ao nosso concelho”.

Neste sentido, o projeto destina-se a entidades com atividade no domínio cultural que tenham sede em Famalicão. Caberá à divisão de Cultura e Turismo do município a verificação da conformidade das candidaturas, a avaliação e decisão do projeto vencedor será da responsabilidade do Conselho Municipal da Cultura (CMC).

O Conselho Municipal da Cultura é constituído por mais de meia centena de entidades culturais do concelho. Criado em 2009, é um órgão de consulta da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão que tem como objetivo principal envolver os diversos agentes culturais do município no planeamento e execução de uma política cultural abrangente e dinâmica.

Entre as suas competências destaque para a elaboração de programa anual de atividades culturais e artísticas, estabelecendo uma calendarização coordenada; estudo de novas formas de cooperação entre as instituições e a discussão de grandes linhas estratégicas para a cultura.

A iniciativa “Programar em Rede” arrancou em 2016, com a Fundação Cupertino de Miranda a arrecadar o prémio com o projeto cultural “Museus Ilustrados em Rede”. Em 2017, a grande vencedora foi “A Casa ao Lado” com o projeto de arte urbana intitulado “Traço”.

Queima do Galheiro em Fradelos

São cada vez mais as pessoas que na noite de terça-feira de Carnaval se reúnem na freguesia de Fradelos, em Vila Nova de Famalicão, para assistir à Queima do Galheiro. Por lá, ninguém sabe ao certo como ou quando nasceu esta tradição tão peculiar.

Sabe-se, no entanto, que está ligada aos primórdios do Entrudo, aos rituais de purificação e à expulsão das forças malignas do Inverno e do início do período renovador da Quaresma.

Ao longo do dia, em vários lugares da freguesia, a população sai à rua amontoando os restos das sementeiras, os galhos velhos das árvores e o silvado, no topo coloca-se um boneco a quem se chama entrudo e pega-se fogo.

Os galheiros chegam a atingir os 15 metros de altura.

A Queima do Galheiro assinala, assim, o final das festividades carnavalescas e o início da quaresma pascal.

Nos últimos anos, a tradição tem ganho dimensão e qualidade, muito graças ao trabalho incentivador promovido pela Associação Juvenil de Fradelos Koklus que tem procurado envolver as novas gerações na iniciativa.

Depois da atribuição de prémios aos melhores galheiros e da criação de um regulamento próprio, a Koklus tem nos últimos anos garantido a animação do evento, atraindo mais participantes e também mais visitantes.

Este ano, estão já garantidas as participações do lugar da Povoação e dos lugares de Quinta e Sapugal.

Raspou e ganhou 30 mil euros em Joane

Foi numa visita ao quiosque (R)VISTAS que Sónia Gomes tentou a sua sorte, esta terça-feira, ao comprar uma rapasdinha de 3 euros. A mulher de 38 anos estava longe de imaginar que aquele simples gesto lhe ia valer 30 mil euros a mais no seu orçamento.

Tenho muito onde gastar este dinheiro

Sónia Gomes ao Jornal de Notícias

O prémio atribuído esta terça-feira foi o mais alto que já saiu neste espaço.

Fotografia: (R)VISTAS (via JN)

CRP Delães vence recurso no Conselho de Justiça da A.F. Braga

O Conselho de Justiça da Associação de Futebol de Braga deu provimento ao recurso interposto pelo Clube Recreativo e Popular de Delães (CRPD) sobre um diferendo deste com o Conselho de Disciplina da AF Braga.

Recorde-se que a 10 de dezembro do ano passado, o jogo CRC Rossas- CRPD, a contar para a taça, foi interrompido ao intervalo, devido ao mau tempo, quando os famalicenses  venciam por 2-0.

O CD da AF Braga decidiu, então, que o jogo devia repetir-se na íntegra e com o resultado a zero. Esta, tem sido aliás, uma prática corrente da AF Braga sempre que os jogos da sua jurisdição não chegam ao fim, por motivos alheios aos clubes.

No entanto, o CRPD não se conformou com a decisão do CD. O clube consultou o regulamento das provas oficiais da AF Braga e, baseando-se nestes, recorreu da decisão para o CJ, exigindo jogar apenas a segunda parte em falta, com o mesmo resultado que se registava no momento da interrupção.

Agora, o CJ veio corrigir a decisão do CD, dando razão ao CRPD, em nome da “verdade desportiva” e da correta interpretação e aplicação dos regulamentos.

Aguarda-se, agora, que o executivo da AF Braga dê seguimento a esta decisão, marcando a data para a realização dos restantes 45 minutos do jogo referente à 3ª eliminatória da Taça da AF Braga.

Fontes ligadas ao CRPD contactadas pelo CIDADE HOJE confirmaram estes factos. «É uma decisão natural e esperada», lamentando apenas que o CD, «apesar de avisado», não tenha corretamente em primeira instância.

O CRPD não tem grandes ambições na prova, «mas orgulha-se de ter ajudado a corrigir um erro histórico grave, que todos os anos vinha a ser cometido pela AF Braga».