Covid-19: Costa prevê 70% dos menores entre 12 e 17 anos com uma dose da vacina até domingo

Na abertura do 23.º Congresso Nacional do PS, no Portimão Arena, António Costa elogiou os portugueses em geral “pelo extraordinário sentido cívico” com que têm enfrentado a covid-19 e “pela forma extraordinária como, vencendo as agruras, os receios, todas as campanhas, confiaram na ciência e confiaram na vacinação como grande arma para vencer esta pandemia”.

“E o que dizer desse extraordinário exemplo de maturidade cívica que nos têm dado as nossas crianças e os nossos jovens, que neste fim de semana, se tudo correr bem, vão permitir chegarmos ao final de domingo com 70% das crianças e jovens entre os 12 de os 17 anos com a primeira dose da vacina contra a covid-19? Que extraordinário exemplo e grande lição para todos nós”, acrescentou.

António Costa referiu que graças à adesão da população, Portugal pode orgulhar-se de ser “um dos países do mundo com maior taxa de vacinação” contra a covid-19.

A vacinação generalizada dos jovens de 16 e 17 anos começou em 14 de agosto.

Em 10 de agosto, a Direção-Geral de Saúde (DGS) recomendou também a vacinação universal das crianças e jovens entre os 12 e os 15 anos, deixando de a restringir a casos considerados de risco, que teve início no dia 21.

Em Portugal, desde março de 2020, já morreram mais de 17 mil pessoas com covid-19 — que hoje o secretário-geral do PS e primeiro-ministro recordou, no seu discurso de abertura do Congresso de Portimão — e foram contabilizados mais de um milhão de casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a DGS.

Grupo de 37 refugiados afegãos chegou hoje a Portugal

Um primeiro grupo, de 18 pessoas, chegou ao aeroporto de Lisboa durante a madrugada em voo fretado e o segundo, de 19, aterrou em Lisboa, já hoje de manhã, num avião C295 da Força Aérea, acrescentou a mesma fonte.

Estes grupos juntam-se a um outro de 24 cidadãos afegãos, e suas famílias, que colaboraram com as forças portuguesas que nos últimos anos estiveram em missão no Afeganistão, no aeroporto da capital.

A retirada deste grupo de afegãos segue-se à tomada do poder, em Cabul, dos talibãs, que levou milhares de pessoas a aglomerar-se no aeroporto para tentar deixar o país.

Os 24 cidadãos afegãos que trabalharam com as Forças Nacionais Destacadas portuguesas para o Afeganistão, assim como os seus familiares, chegaram na sexta-feira, por volta das 21:15, ao aeroporto de Lisboa, em resultado de uma missão de resgate feita por quatro militares portugueses que estiveram em Cabul.

No total, segundo o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, terão sido retirados 58 cidadãos afegãos, que chegam a Portugal entre hoje e domingo.

Os quatro militares portugueses encontravam-se em Cabul desde quarta-feira de madrugada, tendo como missão apoiar a retirada de cidadãos afegãos, após a tomada do poder no Afeganistão pelos talibãs, a 15 de agosto.

GNR deteve 300 pessoas e apreendeu 13 armas de fogo durante a semana

Em paralelo à sua atividade operacional diária, a Guarda Nacional Republicana realizou durante esta semana um conjunto de operações que, refere em comunicado, visaram a prevenção e o combate à criminalidade e à sinistralidade rodoviária e também a fiscalização de diversas matérias de âmbito contraordenacional.

Na sequência destas diligências foram detidas 303 pessoas em flagrante delito, com a GNR a detalhar que 137 destas detenções ocorreram por condução sob o efeito de álcool, 76 por condução sem habilitação legal, havendo ainda a registar 14 detenções por furto, 13 por tráfico de droga e nove por posse de arma ilegal ou posse de arma proibida.

Entre os dias 20 e 26 de agosto a GNR apreendeu ainda doses de vários estupefacientes nomeadamente 265,58 doses de haxixe, 104,6 de heroína, 66,35 de cocaína e 23,6 de liamba.

O conjunto de operações realizadas pela GNR resultou também na apreensão de 11 viaturas, 13 armas de fogo, mais de 1.100 munições de diversos calibres e 12 armas brancas ou proibidas.

No âmbito da fiscalização rodoviária foram detetadas 7.783 infrações, das quais 2.455 por excesso de velocidade, 498 por falta de inspeção periódica obrigatória, 444 por condução com taça de álcool no sangue superior ao permitido por lei e ainda 327 por falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e/ou sistema de retenção para crianças e 249 por uso indevido de telemóvel durante a condução.

ASAE fiscaliza 297 empreendimentos turísticos e alojamentos e instaura 32 processos

Entre as principais infrações detetadas pela ASAE no decurso destas fiscalizações estão a inexistência, no exterior, de placa identificativa da classificação do empreendimento turístico ou afixação fora de prazo, falta do livro de reclamações em formato eletrónico ou não observância das regras de ocupação, lotação, permanência e distanciamento físico nos estabelecimentos de restauração e bebidas.

A ASAE procedeu ainda à verificação do cumprimento do certificado digital ou teste negativo à covid-19 a 2.227 clientes, não tendo sido detetadas irregularidades.

A informação hoje divulgada acrescenta que durante esta operação de fiscalização foi ordenada a suspensão temporária de dois estabelecimentos por falta de afixação ou afixação fora de prazo, no exterior, da placa identificativa da classificação do empreendimento turístico e por não observância das regras de ocupação, permanência e distanciamento físico nos respetivos estabelecimentos de restauração e bares.

Professores colocados longe de casa têm três semanas para mudar de vida

Este ano os serviços do Ministério da Educação conseguiram divulgar mais cedo as listas de colocação de professores. “Foi numa sexta-feira 13”, recorda Lurdes Mendes, 59 anos, que descobriu há duas semanas que em setembro começa a dar aulas numa escola a mais de 300 quilómetros de casa.

A professora de Filosofia vai trocar o Porto por um apartamento alugado em Odivelas. “Os concursos são sempre um tiro no escuro”, diz à Lusa, reconhecendo que agora, que o filho tem 26 anos, estas mudanças são mais fáceis. Mas há “muitos colegas a atravessar situações complicadas”.

É o caso de Maria Silva, 40 anos. Com duas filhas de 4 e 7 anos, soube em meados de agosto que a 01 de setembro teria de se apresentar na nova escola em Lisboa, a 350 quilómetros de casa.

“De um momento para o outro a vida dá uma volta inesperada”, diz à Lusa a professora, criticando o ministério por anunciar as colocações em agosto “como se fosse um grande feito”.

“São menos de três semanas para arranjar uma casa, um jardim-de-infância e uma escola de 1.º ciclo, numa altura em que as vagas no público já estão preenchidas. Se calhar só arranjamos lugar num privado”, desabafa a mãe, contando que ainda está a ponderar a hipótese de a filha mais velha ficar com o pai.

Depois de 15 anos a contratos, Maria Silva seguiu o conselho de colegas e tentou entrar para os quadros do Ministério da Educação. Ficou colocada na zona de Lisboa (QZP-7) com um ordenado de cerca de 1.200 euros.

Agora faz contas à vida: Além do empréstimo da casa do Porto, terá o encargo da casa alugada em Lisboa. As faturas da água e da luz serão a dobrar e há ainda que somar as viagens ao fim-de-semana, enumera.

“Podíamos, ao menos, ter direito a ajudas de custo, como acontece com os deputados e os juízes. Nós não vivemos do ar”, critica.

Além do stress de ter 19 dias para se reorganizar, Maria Silva sente-se novamente responsável por “mexer com a vida de toda a família”.

“Quando contámos às miúdas que iam para Lisboa e o pai ficava no Porto começaram a chorar. É terrível ter de separar as crianças do pai, do resto da família e dos seus amigos. Parece que somos criminosos. Qual é o nosso crime? Querer ser professor?”, desabafa.

Também a educadora de infância Cristina Gonçalves, de 54 anos, sublinha o impacto destas andanças nos mais novos: “Não faz nada bem às crianças andar sempre de um lado para o outro, não conseguem criar vínculos, e isso nota-se”.

Para Cristina Gonçalves é incompreensível como é que o Governo se diz preocupado com os alunos, mas “depois esquece-se que os professores também são pais e têm filhos”.

No caso de Cristina, a maior preocupação são os pais, que vão ficar novamente sozinhos. Nos quadros há três anos, concorreu para todas as escolas desde “Valença à Venda do Pinheiro”. De Lisboa para baixo não tentou, porque “era muito longe de casa”. Ficou na Venda do Pinheiro.

“Vai ser uma despesa muito grande. Nós pagamos para trabalhar. Estes próximos anos vão servir apenas para tempo de serviço. Nós não nos recusamos a nada, continuamos sempre a trabalhar”, diz.

Cristina reconhece que o ministério tem feito um esforço para antecipar a divulgação das listas de colocação. Nos mais de trinta anos de profissão houve alturas em que teve de ficar em hotéis, quando as listas eram divulgadas a 28 de agosto: “Às tantas estávamos a trabalhar nas escolas sem termos casa”, recorda.

Para muitos professores, a divulgação das listas dos últimos concursos veio desorganizar “uma vida que parecia organizada”, conta Maria Santana, professora de Inglês.

Prestes a fazer 48 anos, Maria faz parte do grupo dos cerca de 12.500 professores que concorreram ao concurso interno e, na próxima semana, começam a trabalhar numa nova escola.

Colocada em Lisboa com um ordenado de 1.100 euros, diz que terá de recorrer às poupanças, mesmo dividindo casa.

“As casas em Lisboa são muito caras, por isso tive de optar por um quarto. Vou ter de partilhar espaços comuns, como a cozinha e a casa de banho com pessoas que não conheço. O pior, nesta altura, é mesmo o perigo de contágio de covid-19”, admite à Lusa.

Confinada a um quarto, a professora não poderá “levar a casa às costas” e muito do material das aulas de inglês vai ficar no Porto.

“Uma pessoa sente-se desmotivada. Vou estar a trabalhar a mais de 300 quilómetros de casa, preocupada com os meus pais, que não têm quem lhes acuda, preocupada com o dinheiro que não chega e cansada com as viagens aos fins-de-semana. Isto não é bom para ninguém”, lamenta.

Maria Santana tem colegas que ficaram colocados a 100 quilómetros de casa e optaram por fazer a viagem casa-escola todos os dias: “Descobriram que fazer 200 quilómetros por dia ficava mais barato do que alugar casa”.

A distância entre duas cidades parece ser mais curta para um professor. Para Maria Silva seria “uma sorte” ficar a 50 quilómetros de casa e Cristina Gonçalves garante que 120 quilómetros por dia “se fazem bem”.

Teresa (nome fictício) também diz à Lusa que não se importava de ficar a “50 ou 60 quilómetros de casa”, porque lhe permitia fazer a viagem diariamente.

Com um bebé ainda a amamentar e uma menina no 1.º ciclo, ficou colocada em Vila Franca de Xira, a 285 quilómetros de casa.

“Ninguém percebe que isto não mexe só connosco, mexe com toda a família”, alertou a mãe, que conta já com um currículo de quase duas décadas de instabilidade a saltar de escola em escola em contratos sucessivos.

Os professores queixam-se das novas regras do concurso de mobilidade interna, que permite aos docentes dos quadros tentar ficar numa escola mais próxima de casa.

No concurso deste ano estavam apenas disponíveis horários completos, o que significa que quando forem disponibilizados os horários incompletos alguns colegas com menos graduação poderão ficar em escolas mais perto de casa.

“Não havia vagas na cidade do Porto e em Vila Nova de Gaia só havia três”, diz Teresa, referindo-se às vagas para professores de Inglês do 1.º ciclo. Teresa está num grupo de Facebook com mais de meia centena de docentes que se queixam do concurso.

As aulas começam em meados de setembro, mas na próxima semana, os professores têm de se apresentar nas escolas para preparar um novo ano letivo que deverá ser mais exigente, visto que arranca o plano de recuperação das aprendizagens perdidas durante o confinamento.