Covid-19: Bruxelas pede fim dos limites às viagens na UE “o mais rápido possível”

A Comissão Europeia pediu hoje aos Estados-membros para levantarem restrições às viagens na União Europeia (UE) “o mais rapidamente possível”, de forma a permitir a retoma do turismo europeu, estimando perdas de faturação de 50% devido à pandemia.

“De forma a permitir que o turismo seja retomado, o colégio [de comissários] considera que as restrições às viagens devem ser levantadas o mais rapidamente possível, evitando discriminações com base nas nacionalidades e tendo em conta os desenvolvimentos epidemiológicos”, declarou a vice-presidente da Comissão Europeia Věra Jourová, responsável pelas pastas dos Valores e Transparência, em conferência de imprensa a partir de Bruxelas.

Dando conta que os comissários debateram hoje, na sua reunião habitual de quarta-feira, os impactos da covid-19 no turismo, a responsável precisou que “este ecossistema pode perder até 50% da sua faturação em 2020”.

Este é um dos setores que mais pesa no Produto Interno Bruto (PIB) europeu, num total de 10%, representando 27 milhões de empregos diretos e indiretos.

Frisando que “é óbvio que não deve haver discriminação por nacionalidades e seleção de quem pode entrar no país e de quem não pode”, no período pós-pandemia, Věra Jourová indicou que “os serviços da Comissão estão a trabalhar em diretrizes concretas” para o setor do turismo, nomeadamente no que toca aos transportes, orientações que serão divulgadas nos próximos dias e a pensar no próximo verão.

“Estas diretrizes são necessárias para permitir que os operadores de mercado, especialmente as pequenas e médias empresas, se prepararam para o momento em que as restrições forem, gradualmente, levantadas”, apontou a vice-presidente do executivo comunitário.

Segundo Věra Jourová, “os maiores desafios” do setor são, atualmente, a liquidez das empresas, a confiança dos consumidores, as consequências das restrições e os impactos relacionados com o desemprego.

E, de acordo com a responsável, “há zonas [da Europa] mais afetadas do que outras, com particular impacto no sul”, incluindo países como Portugal, Espanha e Itália.

Věra Jourová defendeu, por isso, “grandes investimentos públicos e privados, a nível europeu e nacional”, no setor do turismo, bem como “apoios temporários” por parte dos países da UE.

Para a responsável pelas pastas dos Valores e Transparência, urge também “clarificar as regras aplicáveis aos reembolsos e ao uso de ‘vouchers’ em casos de cancelamentos devido à covid-19, no âmbito das legislações de direitos dos passageiros e das viagens turísticas”.

Além disso, “as ações para tornar os ‘vouchers’ mais atrativos podem atenuar a pressão junto dos operadores, enquanto se garante o total respeito pelos direitos dos passageiros”, adiantou Věra Jourová.

Com o turismo europeu estagnado devido às medidas restritivas adotadas pelos Estados-membros da UE para tentar conter a propagação da pandemia (incluindo limitações nas viagens entre países), este é um dos setores mais afetados pela covid-19, sendo estimada uma queda de 39% nas viagens de turismo para toda a Europa em 2020, comparando com o período homólogo anterior, o equivalente a menos 287 milhões de chegadas internacionais, segundo um estudo da Oxford Economics.

Assumindo que a covid-19 afeta o turismo europeu durante oito meses, entre alturas de confinamento e de levantamentos faseados das restrições, esta entidade prevê que Portugal seja um dos mais afetados pela paragem no setor, nomeadamente por ter 16,5% do PIB nacional afetado direta ou indiretamente pelos serviços turísticos.

De acordo com a Oxford Economics, em Portugal deverão registar-se menos sete milhões de entradas internacionais este ano, em comparação com 2019, o equivalente a uma queda de 40%.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 217 mil mortos e infetou mais de 3,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Covid-19: DGS reduz número de infetados em Famalicão. Concelho passou de 339 para 332 casos

Dados divulgados pela Direção Geral da Saúde no mais recente relatório de situação.

Centro Social de Requião: Fundação Gulbenkian dá apoio de 19 mil euros

A Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu um apoio financeiro de cerca de 19 mil euros ao Centro Social e Paroquial de Requião, em Vila Nova de Famalicão.

Este subsídio resulta da candidatura da associação ao “Cuida”. Um projeto da Gulbenkian que visa o apoio às associações que estão na linha da frente da ajuda às populações, neste tempo de pandemia.

O valor recebido vai ser utilizado no projeto do centro denominado “Cuidar em Casa”, destinado a todos os seniores que estão nas suas residências.

Mais serviços de enfermagem e fisioterapia, mais ações de formação, compra e distribuição de material de proteção individual, e higienização das residências dos utentes são algumas das ações que fazem parte da candidatura agora aprovada.

O projeto pode ser executado já a partir do próximo mês e até ao final de 2020.

Demolição da antiga igreja românica abre projeto “Áudio derivas” do Teatro da Didascália

A transformação de Joane, em Vila Nova de Famalicão, nos últimos tempos, com as suas consequências políticas, sociais e económicas são um dos temas analisados em “Áudio derivas”, projeto de ‘podcasts’ do Teatro da Didascália, ‘online’ a partir de hoje.

O ‘podcast’ de abertura é dedicado àquilo que a companhia considera um “atentado histórico” — a demolição da antiga igreja românica do Divino Salvador de Joane –, que deu lugar à construção da nova igreja daquela vila do concelho de Vila Nova de Famalicão.

Sons urbanos, recolhidos no local, vozes, narrativas, procura de factos, na desmontagem de “histórias mal contadas”, sustentam o esforço do Teatro da Didascália, que neste ‘podcast’ de abertura recorda os factos que remontam à década de 1950 e levaram à demolição da igreja histórica, em 1978, uma “peça de arte”, com mais de 900 anos, que marcou o início de uma comunidade, anterior à nacionalidade.

“Escapadelas sonoras pela paisagem de Joane” é como o Teatro da Didascália designa o projeto “Áudio derivas” que, num formato “mais ou menos documental, mais ou menos ficcionado”, propõe aos ouvintes uma viagem sonora pelas divagações do processo de pesquisa, em torno do projeto “Paisagem Efémera — natural e rural”.

Este projeto mais amplo constitui uma nova criação do Teatro da Didascália, que parte das transformações ocorridas no território de Joane, ao longo dos tempos, e que, por esta altura, devia estar em fase de conclusão das primeiras intervenções ‘performativas’, previstas para se realizarem nesta quarta-feira e em 31 de maio.

A covid-19 impossibilitou, porém, a realização do primeiro encontro público, atirando-o para outubro próximo, pelo que o Teatro da Didascália decidiu partilhar com o público o trabalho já produzido, em formato de ‘podcast’.

A direção artística é de Bruno Martins, a coordenação geral de Cláudia Berkeley e os criadores são António Júlio, Bruno Martins, José Nuno Lima, Margarida Gonçalves, Rui Souza, Valter Alves.

O projeto tem coordenação Zoom de Vera Santos, direção técnica de Valter Alves, produção de Raquel Passos, comunicação de Sara Rosa Oliveira e design gráfico de Rui Verde.

Os locutores deste primeiro episódio são Bruno Martins, António Júlio, Rui Souza, Margarida Gonçalves e o ´podcast` está disponível em https://soundcloud.com/user-322545705/audio-derivas-1.

Portugueses com falta de Vitamina D

Dois em cada três portugueses têm falta de vitamina D, um valor que nos Açores sobe para 82% e que atinge mais as mulheres do que os homens, conclui um estudo de investigadores portugueses.

Este primeiro estudo que analisa a carência de vitamina D na globalidade da população portuguesa adulta, publicado na revista científica “Archives of Osteoporosis”, indica que mesmo durante o verão pouco mais de metade (56,8%) dos portugueses conseguem atingir valores normais de vitamina D.

O trabalho, que usou uma amostra de 3.092 pessoas adultas de todo o país, representativa da população portuguesa, indica que, no inverno, apenas dois em cada 10 portugueses apresenta níveis normais de vitamina D e que a carência desta vitamina é um problema de saúde pública de nível mundial que em Portugal é ainda desvalorizado.

“É conclusivo que este estudo revela valores inadequados de vitamina D numa grande proporção da população portuguesa. A análise destes dados deve servir de base para um debate nacional profundo sobre o tema e sobre o seu impacto na saúde dos portugueses”, afirma o investigador José António Pereira da Silva, que coordenou o trabalho, citado em comunicado.

As consequências mais evidentes da carência de vitamina D são problemas ósseos e musculares, com uma maior propensão para fraturas com pequenos traumatismos e, nos casos graves, podem surgir dores ósseas e musculares espontâneas, falta de forças e cãibras.

Estes sintomas podem ser, por vezes, interpretados erradamente como sinais de envelhecimento normal.

A alimentação tem um contributo escasso para suprir as necessidades fisiológicas desta vitamina, especialmente através de peixes gordos selvagens, gema de ovo e alguns cogumelos. A exposição solar e a suplementação são as duas outras formas de conseguir atingir os níveis ideais de vitamina D.

Quanto ao impacto da localização geográfica, este estudo, uma colaboração entre a Faculdade de Medicina de Coimbra e a Nova Medical School, indica que os Açores são a região portuguesa que registou níveis mais elevados de insuficiência e deficiência de vitamina D, atingindo 82% da população.

“Estes valores poderão estar associados à intensa nebulosidade que se verifica no arquipélago dos Açores”, refere a nota.

Ao contrário, é no Algarve que se verificam valores mais baixos de insuficiência e deficiência de vitamina D, correspondendo apenas a 45% da população ao longo de todo o ano, comparativamente aos valores entre 58,7% e 69,7% no restante território continental e na Madeira, respetivamente.