Um décimo dos candidatos não conseguiu lugar na primeira fase

Os 89,1% representam, ainda assim, uma maior percentagem de colocações na primeira fase tendo em conta o concurso nacional de acesso de 2017, quando pouco mais de 85% conseguiram colocação.

No entanto, este ano, o número de candidatos é 5,6% inferior ao total de 2017, sendo também o mais baixo desde 2015, quando se candidataram 48.271 estudantes, mesmo com o número de alunos que concluem o ensino secundário, independentemente da via de ensino escolhida, a aumentar desde 2013-2014.

Para as próximas fases de acesso ao ensino superior, sobraram este ano 7.290 vagas, mais do que os 6.225 lugares que restaram em 2017.

Entre os candidatos admitidos, cerca de 88% conseguiram uma colocação nas três primeiras opções, com mais de metade (54,7%) a entrar no curso da sua preferência, o que representa um aumento de candidatos colocados em primeira opção de 5,7% face a 2017.

Os estudantes podem este ano escolher um dos 1.068 cursos disponíveis, entre licenciaturas, mestrados integrados e cursos preparatórios.

Segundo as estimativas do Governo, o ensino superior público deve este ano acolher 73.341 novos estudantes em formações conferentes de grau académico, tendo em conta todas as formas de ingresso, sendo que o concurso nacional de acesso deve vir a ser responsável por cerca de 45 mil novas matrículas.

Quanto aos cursos técnicos superiores profissionais (TESP), ministrados pelos institutos politécnicos, devem registar um aumento do número de inscritos para os 7.719, segundo as previsões da tutela, que destaca o crescimento de 13% face ao ano anterior.

Ainda sobre os TESP, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior refere que cerca de 38% têm origem no ensino secundário profissional, 21% do ensino secundário científico-humanístico e 28% em outras modalidades de ensino secundário, acrescentando que as principais áreas de formação nestes cursos superiores curtos, não conferentes de grau académico, são as Ciências e Tecnologias de Informação, Eletrónica e Automação, Comércio e Administração, Turismo e Hospitalidade, Metalurgia e Metalomecânica.

Em relação a áreas de formação consideradas prioritárias pela tutela, e para as quais houve um aumento do total de vagas disponíveis nos últimos anos, como Física ou Tecnologias de informação, Comunicação e Eletrónica (TICE), houve um aumento de 4,5% no total de colocados em Física e um decréscimo de 2% em TICE face ao ano anterior.

Também em crescendo está o contingente de estudantes internacionais em Portugal, que este ano letivo deve aumentar 22%, com destaque para as universidades de Coimbra, Minho, Porto, Lisboa e para o Politécnico de Bragança, as instituições que mais alunos estrangeiros preveem acolher em 2018-2019.

“As estimativas mostram que o total de novos estudantes estrangeiros ao abrigo do Estatuto de Estudante Internacional que se prevê iniciarem estudos em Portugal aumenta de 4.521 em 2017 para 5.540”, lê-se num documento da tutela.

Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior são hoje divulgados pela DGES, no seu portal (http://www.dges.gov.pt), a partir das 00:00, ficando ainda disponíveis para consulta pelos alunos através da aplicação para telemóvel ES Acesso.

As candidaturas à segunda fase do concurso nacional de acesso decorrem entre 10 e 21 de setembro, para a qual ficam disponíveis as vagas sobrantes da primeira fase, as vagas da primeira fase para as quais não se tenha concretizado a matrícula dos alunos colocados e as vagas da primeira fase libertadas por alunos que tentem outra colocação na segunda.

Os resultados da segunda fase do concurso são divulgados a 27 de setembro.

Mais de 3.500 pessoas assinam petição pelo cumprimento do fim dos abates

Criada pelo movimento de cidadãos Campanha de Esterilização de Animais Abandonados (CEAA), a petição “Pelo cumprimento da lei 27/2016 – Não ao adiamento do fim dos abates!” surgiu após declarações dos médicos veterinários de que “a situação é insustentável” para proibir os abates, questionando “como é que se vai controlar as matilhas” e prevendo que “as matilhas vão agredir e matar pessoas”.

“O adiamento dos abates não resolve problema nenhum, porque as Câmaras que iniciaram processos de esterilização, se houver um adiamento dos abates, relaxam imediatamente, já não fazem nada”, declarou à agência Lusa a primeira subscritora, Margarida Garrido.

O período transitório de dois anos para a aplicação da proibição dos abates, referiu, não serviu para todas as autarquias se adaptarem, porque, continuando a ter a possibilidade de abater, as Câmaras Municipais “preferiram continuar a abater do que esterilizar”.

“Já se chegou ao ponto de se matarem 100 mil animais, cães e gatos por ano em Portugal”, avançou a peticionária, reforçando que a lei 27/2016 respondia às preocupações do movimento cívico CEAA, nomeadamente “a esterilização como forma de controlo da população animal” e a proibição dos abates nos canis.

Na perspetiva de Margarida Garrido, os veterinários municipais têm privilegiado o abate dos animais por ser “muito mais simples” e “muitos desses veterinários não sabem esterilizar e ninguém lhes obriga a adquirir uma formação”.

“Se os veterinários cumprirem as regras do abate […], possivelmente fica-lhes mais caro do que esterilizar”, apontou.

Na petição, os abaixo-assinados manifestam “o mais vivo repúdio pelas pressões para a continuação dos abates, contrariando uma lei que foi aprovada por unanimidade, o que significa que a maioria da população, representada por esses partidos, a apoia”.

“O único resultado desse adiamento seria o abate de mais uns milhares de animais a somar às centenas de milhares de vítimas do passado. Para que tudo continuasse igual, pois quem defende a continuação dos abates está, na realidade, contra a consagração da esterilização como forma de controlo da população animal”, reforçam os peticionários.

Assim, a petição pública serve ainda para exigir que o apoio financeiro às esterilizações a efetuar pelas Câmaras continue e que “a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) proceda a uma suficiente divulgação destas medidas junto das Câmaras, o que não aconteceu com o despacho 3283/2018, publicado tardiamente em 03 de abril”.

Em vigor desde 23 de setembro de 2016, a lei que aprova medidas para a criação de uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população define um período transitório de dois anos, que termina neste mês.

Fica assim proibido o “abate de animais em centros de recolha oficial de animais por motivos de sobrepopulação, de sobrelotação, de incapacidade económica ou outra que impeça a normal detenção pelo seu detentor”.

Detidas 38 pessoas entre a noite de sábado e a manhã de domingo

A GNR deteve 38 pessoas entre as 20h00 de sábado e as 08h00 deste domingo, numa série de operações levados em cabo em todo o país.

Num comunicado enviado às redações, a GNR refere que 18 pessoas foram detidas por condução sob efeito do álcool, nove por condução sem carta, seis por tráfico de droga, duas por ofensas à integridade física e uma por violência doméstica. Foram ainda apreendidas 184 doses de haxixe.

No que diz respeito à sinistralidade rodoviária, registaram-se, no período acima referido 99 acidentes, dos quais resultou um morto, três feridos graves e 51 feridos leves.

A GNR registou ainda 375 infrações no trânsito, destacando-se 191 por excesso de velocidade e 69 por condução com taxa de álcool superior à que é permitida por lei.

Detido em Barcelos por tráfico de droga

A PSP de Barcelos deteve, na quinta-feira à noite, pelas 22h20, na Rua Fernando Magalhães, um jovem com 21 anos de idade, por ter sido intercetado na posse de estupefaciente, designadamente haxixe suficiente para 28 doses, que lhe foram apreendidas.
O detido foi notificado para comparecer junto do Tribunal Judicial de Vila Nova de Famalicão.

Mais de 740 ataques de cães na via pública nos últimos três anos

Em resposta à agência Lusa, a GNR indicou que, desde o início deste ano e até 04 de setembro, ocorreram 231 ataques de cães no espaço público, em 2017 foram contabilizados 253 e em 2016 foram registados 258, o que corresponde a um total de 742 ataques nos últimos três anos.

Sobre a proibição dos abates nos canis a partir de 23 de setembro, em que se prevê um aumento de cães vadios nas ruas, “o dispositivo da GNR está particularmente atento a situações de abandono de animais de companhia, no sentido de identificar os seus autores, assim como a situações de possíveis focos de ataque por parte destes animais, articulando com as entidades competentes, nomeadamente, os municípios, para se proceder à sua recolha”.

Neste âmbito, a GNR salientou que qualquer cidadão pode denunciar casos de abandono de cães, através da Linha SOS Ambiente, pelo número 808 200 520, no seu portal da internet em http://www.gnr.pt/ambiente.aspx, ou ainda em qualquer posto territorial da GNR.

Em vigor desde 23 de setembro de 2016, a lei que aprova medidas para a criação de uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população estabeleceu um período transitório de dois anos, que termina este ano, no que diz respeito à proibição do “abate de animais em centros de recolha oficial de animais por motivos de sobrepopulação, de sobrelotação, de incapacidade económica ou outra que impeça a normal detenção pelo seu detentor”.

Ex-pescador de Viana transforma lixo em obras de arte

Dedicou 42 anos à pesca do bacalhau, mas era a “ânsia de dar nova vida a materiais que já ninguém queria” que lhe “ocupava a mente” durante “a vida escrava no mar”.

Há dois anos chegou a reforma e a possibilidade de “passar os dias a dar largas às ideias que lhe assaltam a cabeça”.

“Há alturas que nem consigo dormir. Surge-me uma ideia para fazer uma peça e levanto-me da cama para ir procurar um tronco de árvore ou uma velharia que alguém deitou fora e fazer nascer o que me está a martelar na cabeça”, contou o autodidata de 66 anos.

Da faina diz não ter saudades, por ser uma atividade “muito dura” que não escolheu, antes “herdou do pai e do avô”. Já as horas que passa “às voltas com as esculturas, não se sente a passar”.

“Estou aqui entretido com as minhas obras e as minhas ferramentas. Um formão, as lixas, a motosserra e a navalha. Só isso basta para fazer as minhas peças”, afirmou enquanto dá forma aos flamingos e às garças que está a esculpir em pedaços de madeira. Pedaços de baldes velhos de tinta servem de asas e galhos finos fazem de pernas e pescoço das aves.

Parte do material recolhe durante as caminhadas que faz pela praia do Cabedelo mas há outras “velharias” que os amigos lhe vão arranjando, “sabedores da veia de artista”.

De acordo com a forma de cada material, assim nascem serpentes, crocodilos, imagens religiosas, helicópteros, aviões, entre muitas outras peças, a que já perdeu a conta.

O ateliê de zinco, que ergueu nas traseiras da casa prefabricada, onde vive há 42 anos, na Senhora das Areias, junto ao porto de mar de Viana do Castelo, na margem esquerda do rio Lima, foi ficando “pequeno” para guardar a criatividade de Joaquim.

No bairro onde vive, criado há mais de quatro décadas para os pescadores de Darque, todos lhe conhecem a faceta de artista. Já quem passa pela avenida, em frente à casa, é alertado pelas duas enormes antenas parabólicas, enfeitadas com motivos ligados ao mar, colocadas no portão da entrada da habitação.

“Iam deitá-las fora. Eu pintei-as e enfeitei-as com um barco, os peixes, as gaivotas. Tudo ligado à pesca”, especificou.

Ao lado, no café onde passa algum tempo, tem expostas algumas peças, uma cortesia do proprietário para o “ajudar nas vendas”.

“Não peço muito dinheiro pelos meus trabalhos. É só para compor a reforma”, referiu, lamentando a falta de divulgação do seu trabalho: “Estou um pouco escondido aqui”, desabafou.

O Quim, como é tratado pela vizinhança, já fez “duas exposições em Lisboa, outras tantas no Porto, em Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira”.

“Em 2016 participei, a convite do senhor Agostinho Santos, na Bienal de Arte de Cerveira”, destacou orgulhoso, referindo-se ao artista plástico e jornalista, natural de Vila Nova de Gaia.

A exposição, intitulada “Imaginário”, esteve patente no Fórum Cultural de Vila Nova de Cerveira com as “interpretações plásticas” de Joaquim Pires e Agostinho Santos.

No mesmo ano, os Antigos Paços do Concelho de Viana do Castelo acolheram a mostra “O escultor de memórias e de sonhos”, onde tratou os valores culturais locais e regionais, traduzindo e representando o universo em que vive, as crenças e costumes.