
A 28 de junho deste ano, a Assembleia Municipal de Famalicão aprovou, por maioria, a comemoração, com uma sessão solene, do 25 de Novembro de 1975. A CDU foi a única força partidária com assento na Assembleia Municipal que não marcou presença nesta sessão, por discordar da comemoração. A sua ausência foi notada e criticada pelo Chega e pelo presidente da Assembleia Municipal. De notar os regressos de Durval Ferreira (CDS) e Álvaro Oliveira (PSD).
Dos discursos, proferidos na passada segunda-feira sobressaem as recordações dos factos históricos e dos protagonistas daquele “verão quente”, muito sentido em Famalicão.
Uns alertaram para os extremismos e os populismos da atualidade que «ameaçam a liberdade», enquanto que os partidos mais à direita pediram que a escola se liberte das amarras «do marxismo» e inclua os acontecimentos do 25 de Novembro nos compêndios escolares.
O primeiro interveniente nesta sessão foi o presidente da Câmara Municipal de Famalicão. Mário Passos considera «justo e merecido reconhecer o 25 de Novembro como uma das datas mais importantes para o processo democrático» porque «trouxe o equilíbrio necessário».
O autarca, que teve um discurso conciliador, apelou a que este seja «um momento de renovação do nosso compromisso com a liberdade. Juntos façamos de Famalicão um exemplo de inclusão, bem-estar de qualidade de vida e de felicidade».
Depois de falar da posição de Famalicão face a outros concelhos, mostrando satisfação com o que foi alcançado, o edil não tem dúvidas de «que o que esperamos nos próximos 50 anos vai muito além do que foi alçado até agora. Os desafios que enfrentamos são maiores e mais complexos, pois vivemos tempos cada vez mais exigentes e difíceis. Olhemos, por isso, para o futuro com ambição e compromisso para que as conquistas de hoje sejam a base de um futuro mais sustentável», desafiou.
Os desafios de que falava centram-se no combate às alterações climáticas, no apoio à família para uma subida da natalidade e apoio aos mais velhos e nas questões da integração de quem, vindo de outros países, procura Famalicão para viver e trabalhar.
Mário Passos acredita que Famalicão está no caminho certo. «Somos ambiciosos, mas responsáveis, desenvolvemos o território, mas não hipotecamos a capacidade financeira das futuras gerações», frisou.
«À mesa da liberdade e da democracia sentam-se os democratas e mais ninguém»
O presidente da Assembleia Municipal de Famalicão, João Nascimento, encerrou a sessão, com um discurso muito crítico em relação àqueles que pretendem desvalorizar a data do 25 de Novembro, especialmente o PCP.
Por que a CDU (integra o PCP e os Verdes) decidiu não participar na sessão comemorativa do 25 de Novembro, o presidente da Assembleia Municipal disse que o PCP estava apenas a ser «coerente» porque «ter aqui o PCP seria celebrar a democracia com quem a tentou aniquilar», referindo ao 25 de Novembro, mas também acusou o PCP de não conseguir ter uma posição contra a invasão da Ucrânia, o vencedor das eleições na Venezuela ou ser complacente com a posição da Coreia do Norte. «À mesa da liberdade e da democracia sentam-se os democratas e mais ninguém», referindo-se aos presentes na sala.
João Nascimento frisou que ninguém poderia, pela ausência ou argumentação, impedir a realização desta sessão comemorativa. «Não julguem que 50 anos passados nos fazem amolecer as convicções ou perder a memória. Relembrá-la-emos por mais 50, 100 ou 200 anos se preciso for, para que percebam que as nossas convicções são inabaláveis», atirou.
Apesar de dizer que o 25 de Novembro «não tem propriedade», o presidente da Assembleia lembrou algumas personalidades, políticas e militares, que estiveram na linha da frente do 25 de Novembro. Disse que é preciso ter memória e agradecer-lhes, lamentando que a data não seja matéria com mais presença nos livros escolares. «É incompreensível e inadmissível», afirmou, entendo que «é o resultado de uma doutrina que nós democratas não aceitamos».