Obra de Mário Cesariny vai ser traduzida para castelhano e ter edição em Espanha

A obra de Mário Cesariny vai ser traduzida para espanhol, assegurou sexta feira o responsável pela Fundação Cupertino de Miranda (FCM), durante a inauguração do Centro Português de Surrealismo, em Vila Nova de Famalicão.

“Vamos assegurar a tradução da obra de Mário Cesariny pelo professor Perfecto Cuadrado [coordenador do Centro Português de Surrealismo], a ser editada pela editora que já edita Fernando Pessoa, e em breve irá editar uma obra única da poesia de Mário Cesariny em espanhol”, anunciou Pedro Alvares Ribeiro.

Mário Cesariny de Vasconcelos, pintor e poeta, nasceu em 1923 e morreu em 2006, com 83 anos, sendo considerado o principal representante do surrealismo português.

Obras de Cesariny constituem alguns dos mais de três mil testemunhos do surrealismo português que fazem atualmente parte da coleção da FCM, que “culminou um longo percurso de 20 anos”, hoje, com a abertura do Centro Português de Surrealismo.

A nova valência cultural tem uma área expositiva de mais de quatro mil metros quadrados preenchida por mais de cem obras, que retratam a herança do surrealismo em Portugal.

A nova casa do surrealismo português, que foi inaugurada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, abre portas ao público com a exposição “O Surrealismo na Coleção Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian”, que reúne 25 autores de 59 obras, como João Moniz Pereira, Jorge Vieira e José Francisco.

Instalado na Fundação Cupertino de Miranda, a sala que lhe dará abrigo resulta do “diálogo” entre o arquiteto do edifício original, João Castelo Branco, e o arquiteto João Mendes. Além de obras da Gulbenkian, terá também em exposição obras da coleção própria da FCM, que incluí nomes como António Dacosta, António Paulo Tomaz e Artur do Cruzeiro Seixas.

Funcionários judiciais em greve de 29 de junho a 3 de julho

O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) decretou este sábado greve nacional para os dias 29 de junho, 2 e 3 de julho, alegando o não cumprimento do Governo sobre a regularização do suplemento de recuperação processual. Para o sindicato, está também em falta a realização o concurso para a promoção às categorias de escrivão adjunto e técnico de justiça adjuntos, anunciados pelo Ministério da Justiça (MJ) durante a negociação do Estatuto dos Oficiais de Justiça.

“Esta jornada de luta é ainda justificada pelo facto de os representantes dos trabalhadores não estarem a ser ouvidos nos processos de reorganização dos mapas de pessoal e funcionamento das secretarias dos tribunais, o que poderá inclusive, colocar em causa o que se acorda em sede de negociação do Estatuto dos Oficiais de Justiça”, disse o sindicato, numa nota enviada à comunicação social.

Para o SFJ é “inaceitável e fora de tempo” que as negociações entre a tutela e o sindicato sejam suspensas para que o Ministério da Justiça articule com o Ministério das Finanças “os fundos para a tabela remuneratória, aposentações e regime de avaliação, com os quais já se tinha comprometido”. “Durante todo o processo negocial sempre manifestámos à tutela a nossa disponibilidade para aportarmos e colaborarmos na dignificação do estatuto socioprofissional […]. Face à desconsideração do Governo para com os oficias de justiça. Esta posição de luta agora decretada deverá ser entendida também como um sério aviso ao Governo para que, em sede de negociação do estatuto, acolha as linhas estratégicas apresentadas por este sindicato”, concluiu.

ASAE apreende água não potável engarrafada e a ser vendida como de marca

A ASAE apreendeu 319 litros de água imprópria para consumo engarrafada em garrafões para máquinas automáticas dispensadoras, de uma marca que estava a ser falsificada em Portugal e a ser vendida no mercado como se fosse genuína. A informação foi este sábado divulgada pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que levou a cabo esta investigação, de crime de fraude sobre mercadorias.

Os investigadores descobriram que garrafões de água provenientes de um país da União Europeia eram utilizados em máquinas automáticas dispensadoras existentes em Portugal e depois eram reutilizados pelo distribuidor português, sediado no distrito de Braga, para abastecer novamente as máquinas com água diferente da original. Após encher os garrafões com água não potável, proveniente de um local sem controlo de qualidade, o referido distribuidor colocava um novo selo de segurança nos garrafões e mantinha a rotulagem original, redistribuindo-os aos clientes que possuíam as máquinas dispensadoras, como se fosse “a água original e segura”, enganando-os “intencionalmente”, explica a ASAE, em comunicado. As análises laboratoriais efetuadas durante o inquérito revelaram que a água em causa era “proveniente de um local sem qualquer controlo de captação e de qualidade, sendo considerada inapta para consumo humano”.

No âmbito do processo, foram apreendidos 319 litros de água, “que apresentavam estas inconformidades”, e os responsáveis da empresa foram constituídos arguidos.

Na inauguração da Academia todos pediram o Famalicão na 1.ª Liga

O maior investimento do FC Famalicão, ao cabo de mais de 86 anos de vida, está inaugurado. A Academia FC Famalicão vai passar a receber os mais de 350 jovens do clube e se os méritos do projeto e a aposta na formação foram amplamente elogiados na manhã deste sábado, não é menos verdade que todos os discursos tiveram, também, como tónica dominante a vontade e o sonho de elevar a equipa sénior ao patamar maior do futebol nacional.

Perante centenas de atletas e muitos adeptos, Jorge Silva, muitas vezes emocionado, falou de um projeto que é para todos e da «semente que está lançada à terra» para que o FC Famalicão «se afirme entre os grandes».

O presidente da Câmara Municipal vê na Academia «valor e qualidade» e elogiou a postura da direção que «colocou no topo das prioridades o que deve estar no topo: a formação». Também Paulo Cunha quer o FC Famalicão na I Liga, «mas de forma sustentada e duradoura» e a inauguração do novo espaço «é um passo importante para essa sustentabilidade» que deseja.

Uma plateia entusiasta ouviu, ainda, o presidente da Associação de Futebol de Braga. Manuel Machado falou do clube como uma referência distrital e nacional «com uma base social de apoio como muito poucos têm. A AF Braga precisa do FC Famalicão na 1.ª Liga, mas os seus adeptos e o concelho precisam ainda mais», considerou o dirigente.

«A aposta na formação é o único caminho da sustentabilidade», atirou Pedro Proença. O líder da Liga Portugal assumiu, mesmo, que «se o Famalicão, com esta envolvência, não chega à 1.ª Liga, nenhum outro o conseguirá», enquanto que Hermínio Loureiro vaticinou que «o futuro do FC Famalicão é prometedor». O vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol elogiou, ainda, «o caminho da excelência que o FC Famalicão está a percorrer».

A Academia FC Famalicão é constituída por três relvados de piso sintético, balneários para 12 equipas, espaços de estudo, de lazer, loja do clube, gabinetes técnicos, ginásio, auditório e residência para jogadores. A Academia FC Famalicão começou a ser construída a 3 de junho de 2017, um investimento de 1 milhão e 300 mil euros.

A Cidade Hoje foi o primeiro órgão de comunicação social a visitar as novas instalações. Veja as entrevistas, conheça a Academia em: www.cidadehoje.pt

A singularidade de Gil Heitor Cortesão na Ala da Frente

A partir do próximo dia 9 de junho, há nova exposição para ver na galeria de arte contemporânea Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão. O nome que se segue é o do pintor português Gil Heitor Cortesão, que até setembro expõe na galeria famalicense “Outside In”.

Dono de um “percurso muito singular”, Gil Heitor Cortesão tem marcado o panorama da pintura portuguesa pela técnica “pouco habitual” que apresenta nos seus trabalhos.

“A pintura é feita no verso de vidro ou acrílico e ficamos perante a visão da pintura numa superfície lisa e sem as texturas, o que nos dá uma visão e sensação muito particular da obra”, explica a propósito António Gonçalves, curador da Ala da Frente.

Um trabalho onde a arquitetura ocupa um lugar de especial atenção, definindo mesmo algumas estratégias de composição das obras.

“A pintura de Gil Heitor Cortesão assume-se como um corpo capaz de fazer rever e pensar a imagem. Demonstra-nos que a pintura mantém um mistério que vai para além do plano da imagem, aprofunda possibilidades e instiga o conhecimento”, acrescenta.

Gil Heitor Cortesão nasceu em Lisboa em 1967, onde vive e trabalha. A partir de 1996, o trabalho que tem vindo a apresentar consiste essencialmente em pinturas realizadas sob vidro acrílico, executadas na face oposta à que é mostrada ao público. A arquitetura modernista tem sido objeto de constante revisitação, sujeita a desvios e associações inesperadas.

Realizou várias exposições individuais, entre as quais se podem destacar Mnemopolis (Fundação Calouste Gulbenkian – Centro de Arte Moderna, 2004), Modelo para armar (Galeria Fortes Vilaça, S. Paulo, 2007), Wallpaper (Galeria Pedro Cera, Lisboa, 2011), Reversos (Palexco, La Coruña, 2013), Second Nature (Galerie Suzanne Tarasiève, Paris, 2015) Late Night Shopping (Galeria Pedro Cera, Lisboa, 2017), Umbra (Carbon 12, Dubai, 2018).

Está representado em diversas coleções públicas ou privadas, nomeadamente: Fundação ARCO, Madrid; CAM/JAP, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; EDP – Electricidade de Portugal; Colecção Fundação de Serralves, Porto; Colecção António Cachola, MACE, Elvas; Colecção Fundação Ilídio Pinho, Porto; Museu da Cidade, Lisboa; Colecção Associação Industrial Portuguesa, Lisboa; Fundación Barrié, A Coruña ; Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean- Mudam, Luxembourg ; Colecção de Arte Contemporânea Arquipélago, São Miguel, Açores.