Famalicão: Dezenas de crianças e jovens estreiam-se no palco da Casa das Artes

O palco do pequeno auditório da Casa das Artes de Famalicão recebe, esta quarta e quinta-feira, às 21h30, “O Beco”, uma peça interpretada pela classe A do Baú dos Segredos, um ateliê que possibilita a que dezenas de crianças (10 aos 14 anos) possam ter uma primeira experiência com as artes do palco, especialmente, o teatro.

A sinopse descreve uma cidade idêntica a muitas outras. Há um beco mal-afamado onde o lixo se amontoa, por aqui e por ali…e os putos. Miúdos da rua que, na falta da família, se juntam no bando, alimentados por uma miséria imensa e a esperança que um dia tudo mude. Os sonhos já são poucos e é difícil sonhar quando não se acredita…

A classe B do Baú dos Segredos, com jovens dos 15 aos 18 anos, atua nos dias 21 e 22, à mesma hora e local, com a peça “Ensaio Sobre a Empatia” que envolve três componentes: afetivo, cognitivo e reguladores de emoções. Trata-se de um ensaio sobre a dificuldade e o caminho a percorrer, para que a empatia possa existir, mesmo quando os seus três componentes teimam em faltar.

A entrada para cada um dos espetáculos custa 3 euros ou metade do preço para estudantes, titulares do Cartão Quadrilátero Cultural e seniores.

Marcelo promulga aumento até 20 dias de licença por falecimento de filho

O anúncio foi feito na página oficial da Presidência da República. Lei permite aumento de licença de cinco para 20 dias consecutivos para permitir luto “por falecimento de descendente ou afim no 1º grau da linha reta”.

“O Presidente da República promulgou hoje o diploma da Assembleia da República que alarga o período de faltas justificadas em caso de falecimento de descendente ou afim no 1.º grau da linha reta, alterando o Código do Trabalho”, lê-se na nota publicada no website da Presidência da República.

O alargamento do luto parental de cinco para 20 dias consecutivos foi aprovado na votação global da Assembleia da República a 26 de novembro, num processo legislativo que gerou um consenso alargado.

O texto final da Comissão de Trabalho e Segurança Social, que teve por base nove projetos de lei do PS, PSD, BE, PCP, PAN, IL, Chega e das duas deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues, foi aprovado hoje com a abstenção da Iniciativa Liberal.

A proposta altera o artigo 251º do Código do Trabalho relativo às faltas por motivo de falecimento de cônjuge, parente ou afim, passando agora de cinco para “20 dias consecutivos” o período de luto “por falecimento de descendente ou afim no 1º grau da linha reta”.

Já no caso de “falecimento de cônjuge não separado de pessoas e bens ou de parente ou afim ascendente no 1º grau de linha reta”, mantêm-se ​​​​​​os cinco dias consecutivos de faltas justificadas, bem como “em caso de falecimento de pessoa que viva em união de facto ou economia comum com o trabalhador”.

A alteração legislativa prevê também que “nas situações de falecimento de descendentes ou afins no 1º grau de linha reta”, os progenitores tenham “direito a solicitar acompanhamento psicológico em serviço do Serviço Nacional de Saúde”.

Este direito é também estendido a casos de situações de “falecimento de familiares próximos como cônjuge e ascendentes”.

​​​​​​​Na origem destes projetos de lei está a petição lançada pela Acreditar – Associação de Pais e Amigos das Crianças com Cancro, em 1 de setembro, com o mote “O luto de uma vida em cinco dias”, por considerar que os cinco dias previsto na lei são “manifestamente insuficientes” para os pais que perdem um filho, perante uma dor que dura “toda a vida”.

Em poucos dias a petição reuniu milhares de assinaturas tendo sido entregue na Assembleia da República em 12 de outubro.

A Luz de Belém chegou na noite desta terça-feira a Famalicão

A Luz que viajou desde Belém chegou, na noite desta terça-feira, a Famalicão.

Após Portugal receber esta pequena chama, a nível nacional, em Setúbal, a região de Braga teve a sua cerimónia de Partilha da Luz da Paz de Belém na noite desta terça-feira, na igreja paroquial de Vale S. Cosme. D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, presidiu à cerimónia que resulta de uma organização conjunta das delegações de todos os núcleos da região de Braga do Corpo Nacional de Escutas.

A sessão contou, também, com a presença do presidente da Câmara Municipal, Mário Passos.

Estudo: Mais de 40% dos portugueses não vão ao dentista há mais de um ano

Quatro em cada dez residentes em Portugal não visitam o dentista há mais de um ano, revela hoje o Barómetro da Saúde Oral, segundo o qual faltam todos os dentes a 9% dos portugueses, principalmente mulheres. Já no que toca a crianças até aos seis anos, mais de 70% nunca foram ao dentista.

Num ano marcado pela pandemia de covid-19, a percentagem de portugueses que não foram ao médico dentista nos últimos 12 meses subiu quase cinco pontos percentuais, face aos valores de 2019.

Os dados do Barómetro de Saúde Oral, realizado pela consultora QSP para a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), mostram que 17% dos portugueses diminuíram o número de idas ao dentista, sendo que destes, 56,5% justificam a redução com a pandemia e 9,8% com questões monetárias.

Há, no entanto, diferenças significativas entre o comportamento dos homens e das mulheres. Enquanto 44,1% dos homens não visitam o dentista há mais de um ano, a percentagem entre as mulheres é de 36,7%.

Em 2020 o estudo não foi realizado devido à pandemia e os dados deste ano mostram “um agravamento relativamente às não idas da população portuguesa aos médicos dentistas”, disse à agência Lusa o bastonário da OMD, Miguel Pavão.

Para Miguel Pavão, a situação de pandemia “veio agravar mais ainda a desvalorização da medicina dentária e dos cuidados de saúde oral entre os portugueses”, uma tendência que “é necessário contrariar”.

O Barómetro, que tem validade estatística, revela que aumentou a taxa de pessoas que afirmam que os gastos com o dentista diminuíram, quer consigo, quer com os familiares, uma evolução em linha com a diminuição da frequência das idas ao dentista.

Dos interrogados, 16,6% diminuíram os gastos pessoais e 10,9% cortaram nas despesas de todo o agregado familiar.

Cerca de 28% nunca visitam o dentista ou apenas o fazem em situações de urgência, ainda assim uma melhoria face a 2019.

O número de portugueses que nunca marca consulta para check-up é de 28,6%, um número que também evoluiu positivamente (38,2% em 2019).

Entre as justificações para não marcarem consultas regularmente, 70% dizem não precisar, 22% afirmam não terem dinheiro e 17% alegam não ter problemas com os dentes.

O barómetro conclui que 61% dos portugueses visitam o dentista pelo menos uma vez por ano.

Os resultados desta edição vão ao encontro do verificado em 2019, com quase 70% da população a ter falta de dentes naturais, à exceção dos dentes do siso e com 9% a ter falta de todos os dentes, problema mais sentido entre as mulheres.

Mais de metade (52,6%) dos portugueses com falta de dentes naturais não têm dentes de substituição (+4 p.p.), o que contraria a tendência que se vinha a verificar nas últimas edições do barómetro, o que aponta para uma degradação do estado da saúde oral em Portugal no último ano, fruto dos impactos da pandemia.

Para Miguel Pavão, estes dados mostram que é necessário valorizar a saúde oral principalmente no pós-pandemia, “mostrando que há muitos benefícios ligados à saúde oral”.

“A população portuguesa deverá investir e valorizar mais a saúde oral e também deve haver melhores condições de acesso à Medicina Dentária. Os reforços que existem anualmente, que diria quase corretivos, para o investimento no SNS não aportam nada à saúde oral”, afirmou o bastonário da OMD.

“Ficamos anos, atrás de anos, a verificar realmente que a saúde oral continua a ser o parente pobre ou o parente mais distante para o investimento em saúde oral”, disse, lamentando que os ciclos políticos não sigam “uma verdadeira estratégia para a saúde oral”, o que disse ser preocupante.

Miguel Pavão defendeu a importância de existir “uma estratégia a médio e longo prazo, para que a saúde oral venha a ter impactos e benefícios na população e que estes números realmente possam ser reduzidos”.

Gouveia e Melo e Merkel são as figuras do ano

Na votação, efetuada pelos jornalistas da agência, a resposta à covid-19 em Portugal e a retirada dos EUA do Afeganistão e o regresso dos talibãs ao poder foram os acontecimentos.

Na Lusofonia, o acontecimento do ano foi a resposta internacional ao terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique, que teve 44 votos, e como personalidade escolhida foi a escritora moçambicana Paulina Chizane.

Na escolha das figuras e acontecimentos de 2021, participaram 74 jornalistas da Lusa, e Gouveia e Melo, que esteve no centro das atenções durante meses e coordenou a ‘task force’ da vacinação, recebeu 68 votos, registando-se 46 votos na resposta à covid-19, no final de um ano em que o país esteve ‘fechado’, a vacinação atingiu um valor recorde de 85% e pôs à prova o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O vice-almirante ficou muito à frente das duas outras personalidades, Carlos Moedas, o ex-comissário europeu que ganhou a câmara de Lisboa à frente de uma coligação de direita, e Pablo Pichardo, o atleta de origem cubana que saltou para a medalha de ouro no triplo salto, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com dois votos cada.

Já no acontecimento do ano nacional, depois da resposta à covid, com 46 votos, em segundo lugar ficou, com 34 votos, a crise política, com o chumbo do Orçamento do Estado, e fim da “geringonça”, e o ano judicial, com uma multiplicação de casos, como a pronuncia de José Sócrates no processo Marquês, ou ainda o êxito da vacinação da população portuguesa, com dois votos cada.

Para acontecimento do ano, a retirada norte-americana do Afeganistão e o regresso dos talibãs ao poder teve 38 votos, à frente da vacinação no mundo, 23 votos, e do assalto ao Capitólio, protagonizado por apoiantes do ex-presidente Donald Trump, numa tentativa de impedir a posse de Joe Biden, 12 votos.

Com 41 votos, Angela Merkel, chanceler alemã durante 16 anos, de 2005 a 2021, foi escolhida como personalidade do ano internacional, muito à frente de Alexei Navalny, ativista anticorrupção e opositor “número um” de Presidente Vladimir Putin, na Rússia, e Joe Biden, presidente eleito e sucessor de Donald Trump, na Casa Branca, ambos com 16 votos.

Paulina Chizane, a escritora que venceu o Prémio Camões 2021, símbolo na luta pela emancipação da mulher em Moçambique, foi a escolhida, com 52 votos, pelos jornalistas da agência como personalidade da Lusofonia.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, alvo de um processo judicial movido pela maioria dos deputados, com acusações de prevaricação, crime contra a humanidade, charlatanismo, teve 15 votos, enquanto José Maria Neves, eleito presidente de Cabo Verde, contra o candidato apoiado pelo partido do Governo, recolheu seis votos.

A resposta internacional ao terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique, alvo de vários ataques ‘jihadistas’ que causaram milhares de mortos e dezenas de milhares de deslocados, desde 2017, foi o acontecimento da Lusofonia mais importante para 44 jornalistas da Lusa.

Outros acontecimentos sujeitos a votação foram o processo judicial contra Jair Bolsonaro (21 votos) e a covid e o “bloqueio” de Macau, que tem imposto restrições à entrada de pessoas devido à pandemia (quatro votos).

A Lusa divulga hoje textos sobre os acontecimentos e figuras de 2021, resultado das escolhas dos jornalistas da agência.